Cerâmica

Cerâmica imprime a beleza que vem da terra na decoração

Uso das peças em projetos de design de interiores tem atraído cada vez mais os apaixonados por essa técnica milenar de transformar argila e água em obras de arte

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postado em 22/01/2012 07:00 / atualizado em 14/01/2012 18:35 Joana Gontijo /Lugar Certo

Eduardo Almeida/RA Studio

As peças mais remotas conhecidas por arqueólogos têm origem na antiga Tchecoslováquia e datam de 24.500 a.C. Outros registros importantes são encontrados no Japão, há cerca de 8 mil anos, e também no Brasil, na região da Floresta Amazônica, na mesma época. Na China e no Egito, o surgimento aconteceu aproximadamente há 5 mil anos, sendo outras manifestações representativas entre os babilônicos, os assírios e os persas. A capacidade da argila de ser moldada quando misturada com água e de endurecer após a queima permitiu que a cerâmica (do grego keramos, "argila") estivesse presente no mundo desde os primórdios da humanidade. Com o tempo, a técnica vem ganhando espaço, através da produção de utilitários e revestimentos, sinônimos de requinte e, depois, lançando mão de novas tecnologias, matérias-primas, formatos e design, a cerâmica migrou do banheiro e da cozinha para outras partes da casa. Objetos decorativos feitos assim agregam aconchego à composição dos ambientes e podem estar harmonizados com diferentes propostas, figurando como uma escolha frequente entre os profissionais da área de arquitetura e interiores.

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A argila pode ser usada diretamente da natureza, mas geralmente precisa ser modificada com a adição de outras matérias-primas para atingir certas características - Eduardo Almeida/RA Studio A argila pode ser usada diretamente da natureza, mas geralmente precisa ser modificada com a adição de outras matérias-primas para atingir certas características
“Falar das técnicas existentes é praticamente impossível, devido a amplitude deste campo, lembrando que, além da cerâmica artística, utilitária e decorativa, ela também está presente na indústria de revestimentos, sanitários, tijolos, motores, etc. Mesmo restringindo o foco para as cerâmicas artesanais e artísticas, as técnicas ainda são bem variadas. Mas, grosso modo, poderia dividir pelas características de queima, sendo assim: cerâmica de baixa temperatura, alta temperatura e queimas alternativas, como raku e buraco, por exemplo”, explica o ceramista Bruno Amarante. As principais matérias-primas são o feldspato (particularmente os potássicos), a sílica e a argila. Além destes três principais componentes, as cerâmicas podem apresentar aditivos para o incremento de seu processamento ou de suas propriedades finais.


“A composição principal é a partir da argila que, após submetida a temperaturas elevadas, que podem ir de 700º C a 1.300º C, transforma-se quimicamente num material duro e estável: a cerâmica. A argila pode ser utilizada diretamente como encontrada na natureza, mas geralmente é preparada e modificada com a adição de outras matérias primas, formando o que chamamos de massas cerâmicas, que têm por objetivo atender as especificidades das técnicas utilizadas”, continua Bruno. Além das argilas e massas cerâmicas, também são utilizados os esmaltes e engobes, em infinitos tipos, sendo que cada ceramista adapta ou desenvolve suas próprias receitas. “Chega-se em resultados extraordinários que atingem níveis de beleza e superfícies pictóricas tão ricas, que por si só não necessitam de nenhum tipo de interferência ou gesto”, analisa o ceramista.

"Peças têm a versatilidade de ser leves e delicadas mas também fortes, agressivas e pesadas, adaptando-se a vários tipos de ambientes, coexistindo entre ancestralidade e modernidade" - Bruno Amarante, ceramista
A produção de Bruno Amarante é variada, passando pelos utilitários, decorativos e esculturas, que ele considera possuírem uma sinestesia estética no conjunto. Com peças que variam entre R$ 20 e R$ 10 mil, Bruno diz que gosta de explorar novas técnicas e pesquisar materiais, para atender a um público eclético. Segundo o artista, a cerâmica pode ser bela, suave, delicada, mas também forte, agressiva, pesada, como um suporte artístico ímpar que, artesanal, regional, utilitário, contemporâneo ou conceitual, tem destaque em qualquer tipo de ambiente, coexistindo entre ancestralidade e modernidade.

BELEZA

Para a ceramista Ângela Maciel, a criatividade amplia possibilidades na produção dos objetos - Eduardo Almeida/RA Studio Para a ceramista Ângela Maciel, a criatividade amplia possibilidades na produção dos objetos
Para a ceramista Ângela Maciel, a criatividade amplia possibilidades na produção das peças, imprimindo a identidade de cada artista. “A cerâmica é um produto que existe no mundo inteiro há séculos, presente nas mais variadas culturas, indo do simples ao sofisticado, carregando as especificidades de cada local em que está inserida, uma vez que a argila é extremamente versátil”. De acordo com Ângela, esta é uma forma de arte que embeleza, esquenta e leva aconchego aos ambientes. Um dos atrativos está na exclusividade, diferente dos processos industriais, que atrai um público cada vez maior. Cubas, peças para mesa e banheiro, jarras, xícaras, pratos, tigelas, bules, garrafas, bolas, adornos, centros de mesa, são apenas exemplos da produção de Ângela, com preços que podem variar entre R$ 15 e R$ 850. “Na sala de estar, de jantar, na biblioteca e home-office, na cozinha, no banheiro, no quarto, a cerâmica leva charme a qualquer espaço”, diz.

Como demonstra a artista plástica e ceramista Regina Meirelles, são inúmeras as técnicas de cerâmica tanto de desenhos e esmaltação quanto de queimas. Dentre as mais conhecidas há a corda-seca (uma pintura feita com esmalte de baixa temperatura), o raku (técnica japonesa já bem difundida), a queima de buraco, a queima bizen (outra técnica de queima japonesa em forno a lenha), a alta temperatura, entre outras, explica. Para os acabamentos, Regina afirma que é possível
A artista plástica e ceramista Regina Meirelles usa técnicas de pintura e até incrustação de tecidos para garantir múltiplas funções às peças. Já o arquiteto Bernardo Gomide considera o produto versátil para ser usado da sala de estar ao banheiro, passando pela área externa do imóvel  - Eduardo Almeida/RA Studio A artista plástica e ceramista Regina Meirelles usa técnicas de pintura e até incrustação de tecidos para garantir múltiplas funções às peças. Já o arquiteto Bernardo Gomide considera o produto versátil para ser usado da sala de estar ao banheiro, passando pela área externa do imóvel
deixar a própria argila aparecendo, pintar com óxidos ou esmaltar. “Já cheguei a incrustar tecidos que pintei em minha cerâmica. Enfim, existem muitas possibilidades de acabamentos. Costumo dizer que minha cerâmica tem múltiplas funções e é também decorativa”. Para Regina, a cerâmica conta histórias, combinando com ambientes rústicos e, ao contrário do que muitos pensam, também produz um contraste interessante quando usada em composições modernas. “Se for uma peça de bom design e acabamento, terá destaque em qualquer lugar”.

Uma natural versatilidade

A cerâmica pode ser inserida em vários segmentos da decoração, mostra a arquiteta Andréa Schettino. Nos revestimentos de pisos e paredes, nos elementos de arquitetura de interior (cubas para lavabos, luminárias, arandelas), nos objetos decorativos (esculturas, jarros, relógios de parede, pesos para livros, castiçais, molduras de espelhos, placas decorativas, cachepôs), e nos objetos utilitários (bilhas, pratos, saladeiras, etc.), a técnica atende aos mais variados estilos, formas, brilhos, esmaltes, cores e gostos, ressalta.

"Por ser um elemento natural, ela imprime um sentimento de conforto, que transita do rústico ao sofisticado" - Andréa Schettino, arquiteta
Por ser um elemento natural, ela imprime um sentimento de conforto, que transita do rústico ao sofisticado. “O uso da cerâmica sempre foi uma tendência. O material foi um dos primeiros a ser usado como peças utilitárias e decorativas por nossos ancestrais. A capacidade plástica da argila de ser modelada e depois de queimada ser muito firme, permitiu ao homem primitivo uma produção de variados utensílios e adornos. Atualmente, a tendência surgiu como elemento sustentável e de harmonização. Nos últimos anos, a crescente preocupação com a sustentabilidade e a arquitetura verde trouxe de volta aos ambientes contemporâneos o uso de elementos naturais, colocando a cerâmica em evidência, não só por sua plasticidade e beleza, mas também pelo lado social. Existem hoje várias comunidades carentes que se desenvolvem através da produção artesanal da cerâmica”, diz Andréa.

MÚLTIPLO

Já o arquiteto Bernardo Gomide mostra que, já que a cerâmica é um produto natural, pode se transformar por inúmeros processos. Esta transformação pode se dar através de maneira industrial, procurando a repetição das formas e texturas, como também manualmente nos processos artesanais, sendo estes últimos ilimitados por envolver os artistas em suas infinitas criações. “A cerâmica pode decorar de banheiros até escritórios, salas, ou até mesmo áreas externas, em forma de revestimento ou adornos para jardins. Pode demonstrar o gosto de quem a escolhe, e varia muito de acordo com o uso”, finaliza.

Tags: decoração,

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