Tendência

Estampas agregam um toque de ousadia e beleza na casa

Padronagens com diferentes desenhos voltaram à decoração em tecidos, móveis, adornos e até como revestimento. Tecnologia permite várias combinações em casa. Especialistas ensinam com usar com cautela o estilo

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postado em 10/02/2013 07:00 / atualizado em 10/02/2013 11:42 Joana Gontijo /Lugar Certo
Eduardo Almeida/RA Studio

Depois de um período em que estiveram um pouco sumidas, elas estão de volta com força total. Na década de 1990, o estilo minimalista predominante, caracterizado pelos tons neutros e os tecidos lisos, ditava a moda na decoração. Agora, as estampas estão mais uma vez dominando o universo décor. É a vez de apostar em florais graúdos, desenhos que remetam às artes gráficas e releituras modernas de motivos clássicos. Novos padrões surgem a cada dia com a avanço da tecnologia e os inovadores recursos de estamparia digital, que permitem manipular imagens, empregar fotografias e brincar com tamanhos, formas e cores facilmente, criando desenhos exclusivos que podem ser aplicados aos mais diferentes tipos de materiais. Com um toque de ousadia, o resultado é um lar cada vez mais personalizado, com a cara do morador.

Veja mais fotos de estampas

As estampas podem ser inseridas na decoração de diversas maneiras, diz o arquiteto e designer Cioli Cassius Stancioli. No piso, no teto, na parede, no mobiliário ou em adornos, elas podem ser adequadas em toda superfície plana ou curva em que seja possível seu desenvolvimento. “Basta apenas ter criatividade para usá-las. Em todos os tipos de espaços - halls, livings, quartos, cozinha, banheiro, lavabo, áreas de lazer, churrasqueiras, entre outros - quaisquer elementos decorativos podem ter estampas, mas atenção porque os ambientes devem ser bem projetados para recebê-las em harmonia de tons e formas”, frisa Cioli.

Ladrilho com estampa criada pelo arquiteto e designer Cioli Cassius Stancioli: resultado elegante e exclusivo  - Eduardo Almeida/RA Studio Ladrilho com estampa criada pelo arquiteto e designer Cioli Cassius Stancioli: resultado elegante e exclusivo
O profissional explica que o design de superfície tem avançado bastante, possibilitando projetar texturas bi e tridimensionais em diferentes materiais, em busca de estética e funcionalidade para diversos produtos e processos industriais. “Aí incluímos as áreas têxteis em sua grande diversidade, os papéis, o vidro, a cerâmica, o aço, os laminados, os plásticos e outros materiais sintéticos, especialmente os recentemente desenvolvidos no setor de pisos”, ressalta. Cioli salienta ainda que, de acordo com o ambiente a ser composto, a escolha pela estampa é muito dirigida pelo gosto de quem solicita o projeto. “Muitas vezes também a moda, em sua interface com a arquitetura e decoração, costuma ditar o uso e os costumes, e dirigir relançamentos”. Não somente em relação ao uso de estampas, a harmonia de qualquer projeto, segundo o arquiteto, envolve um estudo de função dos espaços, dimensões, cores, escolha das superfícies que irão receber os materiais, além de outros cuidados. “O planejamento de cada tema e seus complementos, cores e texturas, irá compor a atmosfera desejada”. No projeto de uma residência em Lagoa Santa, na Grande BH, Cioli especificou estampas em detalhes como as almofadas e no ladrilho do piso na cozinha, este com desenho criado exclusivamente por ele, concebendo um resultado estético belo e muito interessante.

DIVERSIDADE

As estampas variam em inúmeras possibilidades. As principais, conforme Cioli Cassius Stancioli, são: listras (verticais ou horizontais) e as combinações entre suas espessuras, adicionando efeitos de ótica; as clássicas de poá - as famosas bolinhas de tamanhos e texturas diversas; o pied-de-poule ou pied-de-coq, eternizadas por Coco Chanel; a linha dos florais, que inclui uma gama de propostas, como por exemplo a estampa liberty, criada por Arthur Liberty, com temas campestres traduzidos em florais miúdos em diversas cores; as formas geométricas; as tribais; a galáxia, que envolve o uso de figuras espaciais, planetas e estrelas; animal print – as estampas de zebra, tigre, cobra e onça; militar, criada a partir dos uniformes de camuflagem; além da psicodélica, ou tie dye, que foi e ainda é usada pelos hippies. As estampas em xadrez em diferentes estilos, um hit tanto na moda quanto na decoração, merecem menção mais detalhada, como continua explicando o arquiteto. Entre os tipos de xadrez mais famosos, estão: o tartã, das saias escocesas; o burberry, criada pela marca Burberry; o vichy, quadriculado em duas cores que nos lembra o forro de mesa e foi imortalizado por Brigitte Bardot em seu vestido de noiva, na década de 1950; Príncipe de Gales – conhecido como o xadrez clássico, foi criado para o rei Eduardo VII; madras - o xadrez de várias linhas diferentes e coloridas, geralmente em cores "aquareladas"; e buffalo, caracterizado por quadrados que se intercalam entre um liso e outro listrado.

A arquiteta Marina Dubal diz que, com cautela, não há limites para usar as estampas em casa  - Eduardo Almeida/RA Studio A arquiteta Marina Dubal diz que, com cautela, não há limites para usar as estampas em casa
Para a arquiteta Marina Dubal, as estampas são padronagens que auxiliam na ambientação de um espaço. “Em qualquer ambiente, desde que sejam harmonizadas com a proposta de decoração e os objetos componentes do espaço, não existe limite para aplicá-las. Basta contar com orientação profissional e o projeto pode ganhar personalidade com almofadas estampadas, um papel de parede ou um tapete. Atualmente existem inúmeras padronagens e tipos de revestimento que podem ser colocados sobre os antigos, evitando obra. Também já é possível personalizar adesivos, tecidos e painéis em madeira com a estampa desejada”. Marina não recomenda, entretanto, exagerar e usar várias estampas juntas no mesmo espaço, a não ser que elas sejam do mesmo estilo e sigam gamas de cores complementares.

Para chegar a um resultado mais clássico na composição, Marina Dubal indica estampas de listras, arabescos ou adamascados, que remetem a cenários antigos ingleses e franceses. Já para ambientes mais contemporâneos, é permitido abusar dos geométricos ou mix de estampas, inclusive as clássicas, destaca a arquiteta. “O ideal é que, se o projeto mesclar diversas estampas, elas devem buscar uma identidade, algo em comum entre elas. As estampas harmonizadas na decoração dão personalidade ao ambiente. É muito comum abusar de cores e texturas, mas as estampas são uma tendência mais ousada e contemporânea, gerando composições únicas e surpreendentes”, complementa.

A arquiteta Patrícia Abreu diz que prefire usar estampas em elementos de fácil troca, como uma maneira de renovar o ambiente mais rapidamente  - Eduardo Almeida/RA Studio A arquiteta Patrícia Abreu diz que prefire usar estampas em elementos de fácil troca, como uma maneira de renovar o ambiente mais rapidamente
Na opinião da arquiteta Patrícia Abreu, a utilização de estampas em casa deve ser pensada de maneira criteriosa, já que o excesso pode pesar no ambiente, mas, para a profissional, ser cuidadoso não significa necessariamente ser comedido. “Uma parede com um painel em várias estampas pode ficar bem interessante, desde que o ambiente seja planejado para receber essa explosão de cores, formas e texturas”. No mercado atual, existe uma infinidade de possibilidades em processos tecnológicos de criações de estampas, como, exemplifica Patrícia Abreu, as plotagens, que vão desde cerâmicas industrialmente plotadas, reproduzindo imagens (como as que imitam a textura de pedras naturais, ou porcelanatos remetendo a cimento natado), até plotagens em laminados melamínicos - fórmica, vidros, espelhos, entre outros.

Em relação aos desenhos, a arquiteta diz que os florais aparecem mais em ambientes informais e externos, e hoje os geométricos surgem muito em forma de papéis de parede e azulejos, como uma tendência retrô, sendo que todos os tipos de padrão podem estar em qualquer elemento. “Particularmente, prefiro usar estampas em elementos de fácil troca, como papéis de parede e almofadas, como uma maneira de se renovar o ambiente com maior frequência. Quando uso listras e estampas mais fortes em revestimentos de banheiro, por exemplo, prefiro usá-las em faixas ou em detalhes para que o efeito não fique cansativo rapidamente”, acrescenta Patricia. “ Antes de usar as estampas, é necessário testá-las. Existem combinações inusitadas que ficam fantásticas”, finaliza.

Segredos para não exagerar

A arquiteta Mara Starling sugere escolher tecidos lisos para as peças mais volumosas e reunir as estampas nas almofadas ou em pequenos elementos como puffs, tapetes e futons  - Eduardo Almeida/RA Studio A arquiteta Mara Starling sugere escolher tecidos lisos para as peças mais volumosas e reunir as estampas nas almofadas ou em pequenos elementos como puffs, tapetes e futons
Sozinhas ou misturadas, com ou sem texturas, pontuadas em acessórios ou em maior escala no ambiente, o importante é que as estampas combinem com o o tipo de uso e o estilo do local, de acordo com a arquiteta Mara Starling. Como exemplifica a profissional, florais muito destacados e coloridos dificilmente ficarão bem em ambientes corporativos clássicos, onde seria melhor optar por motivos discretos, listras e florais delicados. “Para conseguir um ambiente mais moderno e contemporâneo, pode-se ousar nas combinações, apostando nas cores mais vivas, estampas divertidas revestindo uma bergére, por exemplo, e até mesmo conseguir um efeito bastante original através da estamparia personalizada por digitalização, que possibilitam ter peças únicas de
decoração”, pontua.

Segundo Mara Starling, na hora de decorar um ambiente, é preciso atentar para o fato de que estampa não é só um desenho sobre um material. As texturas também estampam um objeto, como tapetes lisos, mas felpudos, madeiras com veios aparentes ou frisos nos móveis, cita. “Assim, estes elementos também devem ser levados em consideração no momento de conjugar com outros padrões de estampas, para não exagerar e o resultado não ser um erro grotesco. Uma boa sugestão para conseguir harmonia nos ambientes é definir uma base neutra na decoração, escolhendo tecidos lisos para as peças mais volumosas e reunindo as estampas nas almofadas ou em pequenos objetos como puffs, tapetes e futons”, conta Mara.

Projeto da arquiteta Rachel Rodrigues destaca o sofá estampado  - Rachel Rodrigues/Divulgação Projeto da arquiteta Rachel Rodrigues destaca o sofá estampado
Mara explica que as estampas florais, muito usadas, são difíceis de combinar entre si, e as de animais devem ser aplicadas com moderação. As listras são sempre elegantes e não podem faltar, pois dão a sensação de ampliar ou reduzir um espaço, dependendo de como são colocadas, continua a arquiteta. “Estampas de bolas são divertidas e para ambientes mais despojados, conferindo um efeito vintage. O xadrez é clássico, tanto para ambientes masculinos como para conseguir um resultado country. Já a estampa chevron (ou espinha de peixe, que são desenhos geométricos em zigue-zague), é uma das mais novas tendências e, por ser bastante versátil, fica bem em ambientes modernos e clássicos, ou até em uma decoração étnica”.

Para a arquiteta Rachel Rodrigues, da Rodrigues Arquitetura, o morador pode começar pela escolha de uma estampa e então partir para o restante da decoração, ou iniciar o projeto com uma base neutra, o que permite trocar as estampas com o tempo. “Deve haver critério para o ambiente não virar uma profusão de estampas, e mesmo assim a mistura entre elas pode deixar a proposta bem atual , mas, neste caso, usando a mesma matiz de cor”. Na opinião de Rachel, as estampas neutras e menos ousadas ainda são muito procuradas, vencendo o receio dos usuários de usar desenhos mais vibrantes. “Em tapetes, sofás e paredes, o padrão mais usado ainda é o liso com cor mais forte ou mais suave, combinado com as estampas em elementos menores, como as almofadas. As estampas conferem uma festa para o olhar, sejam de qualquer estilo”. Os arquitetos Antônio Ferreira Jr. e Mário Celso Bernardes complementam: “Ultimamente, as estampas estão invadindo cada vez mais a cabeça das pessoas e permitindo um pouco mais de ousadia, inclusive os tapetes estão mais estampados. Estampa não é uma tendência. Ela existe há muitos anos e sempre irá existir, claro que com mais ou menos frequência , mas sempre”.

MEMÓRIA - Renascida da passarela

Composição assinada pelos arquitetos Antonio Ferreira Jr. e Mario Celso Bernardes: Composição assinada pelos arquitetos Antonio Ferreira Jr. e Mario Celso Bernardes: "estampas não são tendência, sempre estarão presentes"
As estampas sempre estiveram presentes na decoração, desde as épocas mais remotas, comenta a arquiteta Marina Dubal. Durante muito tempo, estiveram um pouco em baixa em função do estilo modernista, mais minimalista com interiores monocromáticos e sem muitos adereços, explica. Atualmente, no mundo contemporâneo, as grandes marcas da moda vêm atuando no segmento do design de interiores e introduzem tendências das passarelas no contexto da decoração através de tecidos, tapetes, almofadas, entre outros. “Essa interação moda-arquitetura-decoração é sempre positiva quando se busca criar possibilidades de personalização dos ambientes. No final das contas, todos saem ganhando”, completa Marina.
Equilibrar os vários tipos de padronagem é essencial para evitar excessos nos ambientes  - Eduardo Almeida/RA Studio Equilibrar os vários tipos de padronagem é essencial para evitar excessos nos ambientes

Tags: decoração,

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