Verde sempre bem-vindo

Folhagens são boa opção para quem não pode contar com o privilégio de ter árvores no jardim

Elas podem ser aplicadas em ambientes externos ou internos. Mas escolhê-las requer ajuda profissional

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postado em 21/07/2013 08:00 / atualizado em 21/07/2013 08:24 Júnia Leticia /Estado de Minas
Eduardo de Almeida/RA Studio

Deixar os espaços mais verdes é um dos desafios de quem não abre mão de plantas em meio ao asfalto e à poluição das grandes cidades. Há, ainda, quem sonhe poder contar com a beleza de uma árvore no ambiente doméstico. Para quem não pode ter esse privilégio, o recurso é investir em folhagens, que podem até mesmo ser colocadas em apartamentos com dimensões reduzidas. Mas, antes de recorrer a elas, é preciso ficar atento às espécies e aos cuidados de que necessitam.

Para quem fica muito tempo fora, “o ideal é que tenha alguém para ir pelo menos uma vez por semana para irrigar e deixar que a planta receba um pouco de ventilação e iluminação, mesmo que indiretamente”, segundo a paisagista e gestora ambiental Rozalia Magna Iris. Há algumas espécies que são mais resistentes a ambientes pouco favoráveis, como a palmeira raphis, a zamioculca e a pacova. Outra alternativa é o fícus, muito comum no paisagismo de interiores, mas que não é uma folhagem, como esclarece a paisagista. “É uma árvore, que atinge 10 metros de altura, quando plantada no solo. Em vaso, sua altura fica limitada à profundidade do recipiente.”


Com uma grande variedade de espécies, o fícus pode ser cultivado em vasos dentro de casas ou apartamentos ou em jardins, como confirma o paisagista e ambientalista Caio Zoza. “Porém, deve-se ter o cuidado de, quando plantado em áreas externas, afastá-los no mínimo 20 metros das construções, pois suas raízes são muito agressivas e buscam umidade e, quando a encontram, crescem com mais voracidade e assim tendem a causar rachaduras em construções, passeios, piscinas, entre outros.”

Outras árvores que ficam bem em ambientes internos e exigem poucos cuidados, segundo Zoza, são a cheflera e yuca arbórea. “Algumas frutíferas também, principalmente da família das mirtáceas, como a pitanga, jabuticaba e grumixama. Essas exigem, para permanecerem bonitas e saudáveis, boa iluminação, e para frutificarem, pelo menos quatro horas de sol direto.” Apesar de não ser uma árvore, e sim um arbusto, a chamada árvore da felicidade foi e ainda continua a reinar em muitos ambientes internos, como informa o paisagista. “De fácil cuidado, ela impressiona pela beleza da sua folhagem e acredita-se que traz bons agouros, por isso o nome popular”, diz Zoza.

RESISTÊNCIA

A paisagista Erly Hooper diz que escolha do local para as plantas vai influenciar no tipo de manutenção a ser feita - Eduardo de Almeida/RA Studio A paisagista Erly Hooper diz que escolha do local para as plantas vai influenciar no tipo de manutenção a ser feita
A paisagista Erly Hooper indica o uso de espécies como yuca, imbes, palmeiras e pleomele. “A yuca é uma planta extremamente rústica, adequando-se muito bem a diversos tipos de ambientes. A Yuca elephantipes não precisa de muitos cuidados especiais e suas regas devem ser espaçadas, deixando o solo seco na maior parte do tempo, podendo acontecer a cada 10, 15 dias. É uma espécie ornamental, com folhas verdes, brilhantes, e flores brancas, ideal para interiores”, informa.

Os imbes, também rústicos e resistentes, ainda têm como vantagem o fato de adaptarem-se bem à sombra, como conta Erly. “Além de serem extremamente belos, assim como a pleomele, muito apreciada na decoração por sua tolerância a condições de baixa luminosidade. Quando plantados em vaso, sua altura pode chegar de dois a três metros. Seu crescimento é moderado e é uma planta tropical muito vistosa.”

Entre as palmeiras, também muito bem-vindas em ambientes internos, a paisagista cita a fênix, que se adapta bem a espaço de meia-sombra e locais abertos, como coberturas ou jardim de casa. “Em vaso, sua altura atinge de dois a três metros e ela precisa de regas constantes. Outra palmeira muito usada é a ráfis, que cresce mais lentamente e é ideal para espaço interno bem iluminado, sendo cultivada em vaso. Sua rega deve ser constante, mas o encharcamento deve ser evitado”, orienta Erly.

Saudáveis por mais tempo
Para que as plantas fiquem sempre bonitas, são necessários cuidados de acordo com a espécie e o local onde elas foram colocadas. Especialistas dão dicas de como cuidar delas
Mesclar plantas frutíferas com ornamentais em jardins é uma das recomendações dos especialistas - Eduardo de Almeida/RA Studio Mesclar plantas frutíferas com ornamentais em jardins é uma das recomendações dos especialistas

Para o paisagista Caio Zoza, algumas espécies como o fícus, em vasos demandam regas mais constantes  - Eduardo de Almeida/RA Studio Para o paisagista Caio Zoza, algumas espécies como o fícus, em vasos demandam regas mais constantes
Independentemente da escolha – folhagens, arbustos ou árvores –, é essencial cuidado com as regas para que as plantas fiquem saudáveis. Quando plantadas em ambientes externos, no caso das árvores, não é preciso preocupação, já que elas acumulam a água necessária para a sua sobrevivência, como informa o paisagista Caio Zoza. “Em vasos, as regas devem ser mais constantes.” Como exemplo, ele cita o fícus, que tem pouca exigência de água, devendo ser molhado de duas a três vezes por semana, dependendo do ambiente interno onde se encontra e do tamanho do espécime. “Em geral, a rega deve ser controlada de acordo com o ambiente onde as plantas estão localizadas, observando sempre se ela está se adaptando àquele local. Nas áreas externas, é importante regar regularmente nos primeiros anos de plantio”, orienta.

Sobre o cultivo e cuidados com essas plantas, a professora de teoria da jardinagem do Inap, Lúcia Borges, diz que depende de cada espécie. “Porém, devemos ter mais atenção com as mudas recém-plantadas. Durante os primeiros meses após o plantio, a rega deve ser frequente na maioria das espécies. Quando as plantas vão desenvolvendo suas raízes, vão crescendo e conseguem alcançar o subsolo e locais com mais umidade. É importante também preparar bem a cova para o plantio.”

Erly Hooper conta que a maneira mais fácil de não errar na rega de plantas rústicas mais resistentes, como yuca e imbes, é colocar um dedo na terra. “Enquanto ela estiver molhada, a rega não deve ser repetida. A quantidade de água deve ser o suficiente só para molhar o vaso. Quando colocada em excesso, ela deve ser drenada para fora do recipiente. Isso deve ser feito, já que os tradicionais pratinhos não estão sendo mais usados devido ao problema da dengue.”

Mas a escolha do local onde elas ficarão também pode influenciar na sua manutenção, principalmente no caso de quem fica muito tempo fora de casa. “Saber onde bate mais ou menos sol na casa é essencial para garantir que a planta se desenvolva de forma correta”, conta Erly.

De acordo com ela, às vezes a pessoa insiste em colocar a planta em um determinado lugar e ela fica feia, não se desenvolve. “É muito frequente gastar tempo e dinheiro com adubo, vaso, achando que o problema é esse quando na verdade é apenas a localização que não está correta.” Como exemplo, a paisagista cita os imbes, que devem ser cultivados em um lugar onde recebam muita luz indireta.

PONTO CERTO

Lúcia Borges conta que as condições e características do local influenciam diretamente na escolha e na manutenção das plantas. “Ambientes maiores suportam plantas altas e frondosas. Para locais menores, como jardins residenciais, varandas e canteiros, as árvores de menor porte são as mais indicadas.”

Em geral, árvores exigem boa luminosidade para se manterem saudáveis, como informa Caio Zoza. “Logo, o local onde elas estarão dispostas no interior da casa deve ter boa luminosidade e ventilação. Na área externa, as exigências são menores, devendo se observar sempre a altura e diâmetro final que terá a espécie quando adulta.”

Um erro muito comum quando do plantio de espécies arbóreas é a distância entre elas e as construções e outras espécies do jardim, como observa o paisagista. “Nos primeiros anos de crescimento, a correta adubação e manter uma rega uniforme e periódica é fundamental. Quando o dono se ausentar da residência por longos períodos, uma irrigação automatizada é o ideal para sua manutenção”, orienta Zoza.

No ambiente adequado

A paisagista e gestora ambiental Rozalia Iris diz que é preciso escolher a espécie conforme o ambiente - Eduardo de Almeida/RA Studio A paisagista e gestora ambiental Rozalia Iris diz que é preciso escolher a espécie conforme o ambiente
Para quem ainda tem dúvidas de onde colocar plantas, Caio Zoza diz que salas e varandas são locais mais comuns. Em casas, onde se é possível plantá-las em áreas externas, os cuidados devem ser na escolha das espécies a serem plantadas. “Evite arvores com raízes agressivas, como paineiras e fícus. Árvores caducifolias – que perdem as folhas em determinadas épocas do ano, geralmente, outono – também devem ser evitadas quando não se quer ter uma manutenção maior, apesar da grande beleza da renovação da sua folhagem”, explica o paisagista e ambientalista Caio Zoza.

Segundo Rozalia Iris, o ideal são os espaços que conseguem reunir boa ventilação e iluminação. “É possível colocar plantas em todos os espaços, desde que seja realizada uma consultoria antes com um profissional da área, que possa especificar o tipo de planta adequada ao ambiente existente, principalmente para evitar o uso de espécies venenosas, agressivas, entre outras.”

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Para quem não abre mão das árvores, Lúcia Borges diz que seu uso é mais restrito. Isso porque a maioria das espécies arbóreas necessita de sol pleno e espaços amplos para o seu desenvolvimento. “Jardins externos, canteiros ao ar livre, varandas e coberturas são locais mais indicados para o cultivo dessas plantas. Se a casa ou apartamento não tiver canteiros e jardins, algumas espécies, principalmente as de menor porte, suportam ser plantadas em vasos.”

Caso as árvores sejam plantadas em canteiros e jardineiras, a paisagista ressalta que é importante observar a profundidade do canteiro para poder escolher as espécies mais indicadas. “Algumas árvores têm raízes profundas, e outras, superficiais, porém ambos os tipos são vigorosos e podem danificar encanamentos, canteiros, pisos e paredes”, alerta Lúcia.

Observados esses cuidados, se não bastasse a beleza das plantas por si só, há a opção de agregar ainda mais valor a elas. De acordo com Zoza, uma tendência que tem sido adotada neste tipo de projeto é optar-se por espécies com troncos trançados. “É um modo que o produtor encontrou de atrair os olhares do cliente para o tronco da planta”, informa.

UNIÃO

É possível ter plantas sempre verdes em casas, mesmo se não tiver tempo ou jeito para lidar com elas - Eduardo de Almeida/RA Studio É possível ter plantas sempre verdes em casas, mesmo se não tiver tempo ou jeito para lidar com elas
O paisagista explica que, neste caso, são duas ou três mudas plantadas juntas que, ainda pequenas, são trançadas e amarradas para se desenvolverem daquela forma, o que confere um efeito visual muito bonito. “Já na área externa, a tendência é cada vez mais implantarmos mudas nativas – que são de cuidados mais simples em relação às exóticas – e cada vez mais árvores com frutos para alimentar as aves”, diz Zoza.
Mas se o problema for ter pouco tempo disponível para cuidar das plantas, no caso das de interior, espécies como fícus, cheflera e yuca arbórea são as mais indicadas, segundo Zoza. “São de pouquíssimas exigências. Recomendo uma vez ao ano retirá-las do vaso e podar suas raízes, bem como trocar o substrato.”

O paisagista diz que é perceptível quando esse cuidado deve ser realizado, pois as folhas da planta caem com mais intensidade e a coloração sai do verde-escuro brilhante para um verde-amarelado e muitas vezes com manchas escuras. “Isso se deve ao enovelamento das raízes, que saturam o vaso”, informa.

ANOTE AÍ

Conheça algumas espécies e suas características

» Yuca
Planta extremamente rústica, adequa-se muito bem a diversos tipos de ambientes. A Yuca elephantipes não precisa de
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muitos cuidados especiais. Suas regas devem ser espaçadas, deixando o solo seco na maior parte do tempo, podendo ocorrer a cada 10, 15 dias. É uma espécie ornamental, com folhas verdes, brilhantes e flores brancas. Ideal para interiores.

» Palmeiras
A fênix se adapta bem a espaço de meia-sombra e locais abertos, como nas coberturas ou jardim de casa, mas necessita de regas constantes. Em vaso, sua altura atinge de dois a três metros. Outra palmeira muito usada é a ráfis, que cresce mais lentamente e é ideal para espaço interno bem iluminado sendo cultivada em vaso. Sua rega deve ser constante, mas o encharcamento deve ser evitado.

» Pleomele
Muito apreciadas na decoração por sua beleza e tolerância a condições de baixa luminosidade. Quando plantadas em vaso, sua altura pode chegar de dois a três metros. Seu crescimento é moderado e é uma planta tropical muito vistosa. Gosta de solo úmido, mas não encharcado. Regar duas vezes por semana.

Fonte: Erly Hooper, paisagista

Tags: plantas

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Nilson - 21 de Julho às 10:54
Outros jornais dariam manchete à vitória do Cruzeiro sobre o São Paulo. Na próxima quinta, serão obrigados a dar manchete a que não gostariam, derrota do Atlético no Mineirão. Nada contra as folhagens, é que no local apropriado não nos deixam comentar.

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