Com apoio da arquitetura, ambiente hospitalar pode ser mais acolhedor para crianças

Criar um espaço apropriado para receber as crianças que estão em tratamento auxilia o processo terapêutico

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postado em 22/07/2014 13:45 / atualizado em 22/07/2014 14:00 Redação /Bonde
São muitos os estudos que indicam que a hospitalização pode afetar o desenvolvimento da criança, interferindo na sua qualidade de vida. Para lidar com essa situação, o brincar tem funcionado como estratégia de enfrentamento da doença. "Criar um ambiente de saúde adaptado ao universo infantil é importante para que o tratamento seja percebido não como uma situação de trauma, mas como um processo transitório. O brincar pode ser um recurso adequado para a adaptação da criança hospitalizada, permitindo personalizar a intervenção", diz a arquiteta Ana Carolina M. Tabach, diretora de projetos da C + A Arquitetura e Interiores.
C   A Arquitetura e Interiores/Divulgação
O câncer, por exemplo, por ser uma doença crônica, expõe a criança e seus familiares a diversas situações estressantes, que se somam à possibilidade de internação. Uma criança com uma doença crônica, que necessita de visitas regulares ao hospital, pode encontrar dificuldades e obstáculos na sua vida social e familiar, como, por exemplo, a restrição do convívio social, ausências escolares freqüentes e aumento da angústia e tensão familiares. "Acrescentamos a esse quadro a necessidade de se adaptar aos novos horários, receber injeções e outros tipos de medicação, ter que permanecer em um quarto, ser privada de atividades de brincar - situações que não faziam parte de sua vida de criança, e que se agravam com a hospitalização", explica Ana Carolina Tabach.

Os prejuízos trazidos por uma internação prolongada são bem conhecidos. Por isso é tão importante promover a humanização das instituições de saúde, de qualquer porte, desde consultórios, com atendimento ambulatorial, até hospitais quaternários de especialidades médicas, como cardiologia ou oncologia, buscando prevenir comportamentos deprimidos e visando promover a saúde e a pronta recuperação. "A arquitetura pode contribuir muito para o bem-estar do paciente, através de projetos que ajudem a criança a enfrentar as dificuldades da internação e da doença. Os projetos devem promover a segurança desse paciente, passando tranqüilidade e isso se consegue através de detalhes específicos, como a exploração da iluminação natural nos ambientes e a utilização de cores, por exemplo", defende a arquiteta.

Brincar no hospital

Dentre as estratégias utilizadas por crianças para enfrentar condições estressantes encontra-se o brincar, recurso utilizado tanto pela criança, como pelos profissionais do hospital, para lidarem com as adversidades da hospitalização. A importância do brincar na situação hospitalar ganhou relevância social, principalmente, a partir do trabalho do médico Patch Adams, nos Estados Unidos, cuja história pessoal foi popularizada através do cinema.
C   A Arquitetura e Interiores/Divulgação
A tendência atual para estes ambientes é que todos os brinquedos estejam nas paredes, criando um local de convivência e interação entre as crianças, visando despertar o interesse das diferentes faixas etárias, mas, ao mesmo tempo, facilitando a assepsia e evitando o contato direto do brinquedo com a boca, buscando prevenir novas doenças. Nestes ambientes, cada brinquedo deve ser de uso exclusivo de uma das crianças internadas. Em algumas instituições de saúde, os brinquedos são usados apenas no leito do paciente. "Existe uma legislação específica - Lei Nº 11.104/ 2005 - que dispõe sobre a obrigatoriedade de brinquedotecas em unidades de saúde que ofereçam atendimento pediátrico em regime de internação. Estes espaços devem estimular as crianças e seus acompanhantes a brincar", conta a arquiteta Ana Paula Naffah Perez, diretora de projetos da C + A Arquitetura e Interiores.

A atividade lúdica é um instrumento terapêutico a serviço da intervenção médica. "Procuramos aplicar estes conceitos nos projetos que desenvolvemos para clínicas e hospitais que atendem o público infantil. Na brinquedoteca do Hospital Arthur Ribeiro Saboya, em São Paulo, empregamos cores alegres, disponibilizamos o fácil acesso das crianças aos brinquedos e procuramos utilizar revestimentos de fácil assepsia, uma vez que a brinquedoteca está inserida dentro da ala pediátrica do hospital. O espaço foi patrocinado por uma empresa de alimentos", explica a arquiteta Ana Paula Naffah Perez.

Sobre a brinquedoteca

Local: Hospital Arthur Ribeiro Saboya, São Paulo (SP)
Área de intervenção: 450 m²
Descrição: projeto completo de arquitetura e interiores para a ala pediátrica do Hospital Arthur Ribeiro Saboya
Capacidade: 30 crianças
Diferenciais do projeto: o grande diferencial deste projeto foi a introdução de conceitos de cores e revestimentos específicos em unidade de saúde municipal, levanto o conceito de hotelaria ao hospital.

OUTRO EXEMPLO
C   A Arquitetura e Interiores/Divulgação
"Mesmo em consultórios e clínicas de atendimento ambulatorial, os conceitos lúdicos sobre os quais estamos falando podem ser observados. Em alguns locais, pela dimensão reduzida do espaço, a facilidade para a assepsia dos brinquedos é melhor, possibilitando maior flexibilidade ao projeto. Quando projetamos um espaço infantil numa clínica, pensamos em proporcionar felicidade às crianças. Elas se sentem mais contentes e confiantes ao serem atendidas num ambiente preparado especialmente para recebê-las. Além de amenizar o estresse, a oportunidade de brincar no ambiente de saúde favorece a comunicação e a expressão dos sentimentos das crianças. A brincadeira é, muitas vezes, a porta de acesso do profissional de saúde ao universo infantil. Foi com esta idEia em mente que projetamos a Clínica Girão e Rodrigues, especializada em obstetrícia e pediatria", defende a arquiteta.

"Elementos lúdicos são fundamentais nos espaços pediátricos. E se precisam ser inseridos no projeto arquitetônico, não consideramos apropriado 'improvisar'. Para criar um espaço com brinquedos e enfeites temáticos dentro de uma clínica médica, é preciso contar com a orientação de um profissional especializado, para que o resultado seja o almejado pelo profissional de saúde", aconselha Ana Paula Perez.
C   A Arquitetura e Interiores/Divulgação
Sobre o projeto

Local: Clínica Girão e Rodrigues, São Paulo (SP)
Área de intervenção: 200 m²
Descrição: projeto completo de arquitetura e interiores para clínica pediátrica e obstétrica
C   A Arquitetura e Interiores/Divulgação

Tags: arquitetura

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