Conheça hotel modernista projetado por Oscar Niemeyer em Diamantina

Edifício modernista contrasta com casarões históricos em Minas Gerais. Obra foi encomendada por Juscelino Kubitschek a Niemeyer e preserva mobiliário dos anos 50. Hotel é tombado pelo patrimônio histórico nacional

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postado em 25/02/2015 12:12 / atualizado em 24/03/2015 10:48 Thiago Ventura /Portal Uai
Prédio inaugurado em 1951 exibe formas geométricas a contínuas (Fotos: Thiago Ventura/EM) - Thiago Ventura/EM/D.A Press Prédio inaugurado em 1951 exibe formas geométricas a contínuas (Fotos: Thiago Ventura/EM)
O arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer (1907-2012) é mundialmente conhecido por obras monumentais como o Complexo da Pampulha e a capital federal, além de importantes prédios públicos em vários países. O carioca, contudo, também é autor de projetos residenciais e comerciais não tão conhecidos, mas igualmente belos. É o caso do Hotel Tijuco, edifício modernista na histórica cidade de Diamantina, no Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais.

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A exemplo de Brasília e Pampulha, o hotel tem um ‘padrinho’ ilustre: o ex-presidente Juscelino Kubitschek (1902-1976), natural de Diamantina. Com apenas 10 mil habitantes no começo no final dos anos 50, a cidade não dispunha de boa estrutura para receber turistas, mesmo com o rico patrimônio colonial.

De olho no potencial, o político conseguiu incluir a construção de um hotel num pacote de obras públicas para Diamantina. E o projeto foi encomendado para Niemeyer, que já havia trabalhado com Juscelino Kubitschek (JK) em Belo Horizonte. Além do hotel, o arquiteto assina ainda a Escola Estadual Professora Júlia Kubitschek, a Praça dos Esportes (Diamantina Tenis Club) e a Faculdade de Odontologia (atual Universidade Federal do Vale do Jequitinhonha e Mucuri). Todos os prédios são tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Thiago Ventura/EM/D.A Press
O Hotel Tijuco foi inaugurado no final de 1951 pelo então governador e iniciou as atividades no ano seguinte. O local abrigava bailes e serestas e por vezes era completamente fechado para receber Juscelino e sua comitiva de Belo Horizonte. Em 1989, o edifício foi leiloado e passou para iniciativa privada, arrematado pelos atuais quatro sócios.

O estilo Niemeyer é evidente: o hotel tem formato de um trapézio invertido, exibindo linhas retas, formas geométricas e uso do concreto armado. Na fachada, destaque para as colunas em V, com continuidade do primeiro para o segundo andar. As varandas têm treliça azul e conjunto final sugere perspectiva infinita, num contraste claro com os casarões e igrejas coloniais da cidade.

Thiago Ventura/EM/D.A Press
No primeiro andar, enormes vitrais do chão ao teto dominam a vista do amplo salão e hall de entrada, que tem pé direito alto. Na parede oposta ao salão e no saguão, utilização de madeira, mesmo material da escada que leva ao piso superior.

São 27 apartamentos, 16 luxo e 11 standard, com capacidade para 80 hóspedes. Os panorâmicos têm varandas exclusivas, com vista para a Serra dos Cristais. A exemplo do primeiro andar, enormes vitrais e parades em madeira. O telhado em formato de borboleta é notório no corredor interno de cada unidade.

Thiago Ventura/EM/D.A Press
Outro destaque é a preservação do mobiliário, que torna o espaço uma volta aos anos 50. Poltronas, mesas de canto têm o estilo “pé de palito”, bemo como elementos de decoração, como luminárias e castiçais. Nas paredes do hall, fotos e quadros de Juscelino. Nos quartos, cômodas e painel de cama também seguem o padrão.

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“Quando o hotel foi arrematado, os móveis estavam em péssimo estado. Os proprietários utilizaram outro mobiliário até que todas as peças fossem restauradas. Tentamos manter tudo no máximo de originalidade possível”, conta Rony Odlanier Silva, gerente-geral do hotel Tijuco. Antes de ser privatizado, quadros de artistas como Di Cavalcanti faziam parte do acervo. Os jardins na frente do hotel são de Roberto Burle-Marx, afirma o gerente.

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Além dos hóspedes que buscam apenas uma acomodação para visitar a cidade famosa pelas serestas e carnaval, o hotel recebe interessados na arquitetura de Niemeyer. Segundo Silva, é frequente quem passa pela rua notar as linhas do edifício, entrar no hall e pedir informações.

“Recebemos muitos estudantes e profissional de arquitetura, principalmente americanos, que vêm para pesquisar as obras de Niemeyer. Interessados de vários estados brasileiros também agendam visitas”, conta Silva.

Thiago Ventura/EM/D.A Press
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