Feira promete agitar a capital com a beleza e a singularidade do artesanato

Evento promovido por centro cultural de BH será realizado em 4 de agosto com o melhor do feito à mão

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postado em 28/07/2017 12:31 / atualizado em 28/07/2017 13:55 Joana Gontijo /Lugar Certo
A graciosidade do artesanato é celebrada em cada detalhe - Jair Amaral/EM/D.A Press A graciosidade do artesanato é celebrada em cada detalhe

A beleza do gesto artesanal. A singularidade do que nasce das mãos. Obras únicas, criativas e cheias de caráter cultural, histórico e de identidade, que não deixam nada a desejar em relação às peças de alto design. Objetos que enfeitam cada canto da casa com charme e elegância, convidando a desfrutar o espaço. Lançar mão do artesanato é uma maneira de transformar o mundo ao redor e transmitir emoção. Quando aplicado na decoração, o trabalho manual realça qualquer estilo com originalidade.

Minas Gerais é um celeiro de artistas que mostram os mais variados tipos de artigos concebidos dessa maneira. E, para celebrar a produção dessas mentes inventivas, um centro de cultura em Belo Horizonte se prepara para receber o público em um evento para lá de especial. É a terceira edição da Feira de Artesanato promovida pela Brilho Handmade Art (BHArt), que reúne um grupo de artesãos mineiros, marcada para o próximo dia 4 de agosto.

Itens feitos à mão são o ponto alto do trabalho do centro cultural e loja Brilho Handmade Art  - Jair Amaral/EM/D.A Press Itens feitos à mão são o ponto alto do trabalho do centro cultural e loja Brilho Handmade Art

O dia dedicado ao artesanato vai reunir 28 profissionais do estado na aconchegante Casa Ateliê, no Santo Agostinho. A fundadora e coordenadora do BHArt, Cynthia Rabello, ressalta que os trabalhos passaram por uma curadoria cuidadosa, assegurando que são realmente feitos à mão. Além das peças, o evento contará com o melhor da gastronomia, com food bikes de pudim, hambúrguer, suco e cerveja artesanal, e as delícias do renomado chef Gastón Almada, que fará pratos na hora. Ao cair da noite, um pocket show vai animar a galera para curtir o happy hour no lounge gourmet montado no jardim do casarão.

Com entrada gratuita, a feira começa às 13h e vai até as 22h. E tem promoção especial para quem tiver o convite. Os locais de distribuição são: Cinema Belas Artes, Museu Memorial Vale, Centro Cultural BHArt, Café com Letras (Savassi), Sou Café CCBB, Baiana do Acarajé (Savassi) e Loja Colaborativa BHArt. No projeto, são 60 artistas plásticos e artesãos envolvidos e a loja colaborativa, um braço do centro cultural que funciona no mesmo local, agrupa 25 pessoas.

Da garagem para o mundo

O centro começou pequenino na garagem de casa, e hoje funciona como um ateliê coletivo e loja, que oferta cursos, oficinas e workshops na área. As aulas de mosaico, estamparia em seda, cartonagem e pintura em aquarela e acrílico fazem parte da grade fixa. Entre as oficinas, estão as de crochê, pátina para restauração de móveis, suculentas e terrários e pintura. Os workshops têm valores a partir de R$ 100 e os cursos de R$ 200, já incluído o material. As atividades variam entre quatro ou duas aulas, ou até em um dia inteiro.

A fundadora e coordenadora do BHArt, Cynthia Rabello, ressalta a importância de resgatar e valorizar o fazer manual - Jair Amaral/EM/D.A Press A fundadora e coordenadora do BHArt, Cynthia Rabello, ressalta a importância de resgatar e valorizar o fazer manual

Depois de deixar o emprego formal em um banco, Cynthia, há muito tempo inspirada pela mãe e pela avó, adeptas do artesanato, além das aulas de arte na escola, começou a investir em produtos de joalheria, que comercializava, no início timidamente, para as amigas. Eram os idos de 2001. "Comecei atendendo em casa, e participava de feiras e eventos da área, que não eram muitos, a não ser a feira nacional, que ocorre todo fim de ano. A partir daí, consegui abrir meu próprio espaço para receber as pessoas com um atendimento mais personalizado. Resolvi montar um ateliê na garagem. Coloquei umas mesinhas, improvisei. As pessoas passavam e ficavam encantadas e, a partir daí, começaram a encomendar. Depois, fiz cursos de ourivesaria e iniciei a produção de peças com banho de ouro. Tudo muito artesanal, mão na massa", relembra. Em 2015, ela alugou o prédio onde criou o centro cultural, na rua Paracatu, em BH. A loja colaborativa vai completar um ano em setembro, e o ateliê abriu as portas em 2002.

O que não falta é opção

Entre o variado leque da loja, o melhor do artesanato, das artes plásticas, da moda e do design. São itens como cartonagem com carteiras, feitas com as técnicas de tecido, papelão, costura e patchwork; caderninhos; capas de livro; vidros, taças e garrafas pintadas; artigos religiosos, como oratórios, santos, divinos e escapulários de porta; chaveiros; uma linha exclusiva de esculturas em palitos de fósforo; camisetas; semi joias e acessórios; pendentes; luminárias e abajures; espelhos; bandejas; bolsas; sabonetes e essências; bonecos e esculturas; panos de prato; almofadas; porta chaves; trabalhos em ferro fundido; cerâmicas, entre outros. Os produtos também podem ser encomendados.


A tabela de valores tem peças entre R$ 10 e R$ 1,5 mil. Pelo preço mínimo, é possível comprar chaveiros, bolsinhas, porta moedas, semi joias; pendentes em acrílico ou madeira com resina para pendurar na porta, no quarto ou no carro saem por R$ 30; caixinhas de fósforo enfeitadas com casinhas imitando um mini quadro são vendidas por R$ 15; esculturas com fósforo vão de R$ 20 a R$ 60; artigos sacros, como santos e oratórios têm custo entre R$ 15 a R$ 200; além de mandalas, bancos de madeira ou espelho com mosaico, e luminárias, entre R$ 300 e R$ 350 e, por último, uma peça entre as mais caras, o oratório de marchetaria que faz referência a igrejas antigas e barrocas, encontrado por R$ 1,5 mil.

"Temos uma clientela que conhece o trabalho há muito tempo, e a loja tem um bom retorno. As pessoas ficam fascinadas", diz Cynthia. O artesanato rico e autêntico chama o olhar do público, que se surpreende com o trabalho. "Geralmente, não se tem acesso a uma produção de qualidade. Assim, quem frequenta nossa loja e os eventos se apaixona. Fazemos questão de exaltar a história de cada artista, como uma maneira de resgate mesmo". No grupo do BHArt, artesãos de todas as idades são os responsáveis por essa magia do que é feito à mão.

Parcerias

A feira de artesanato acontece mensalmente. A edição inaugural foi em maio, no Museu das Minas e do Metal, e esta é a segunda vez que a Casa Ateliê abriga o evento. Em setembro, a intenção é também aproveitar o belo espaço na Rua Gonçalves Dias para a realização. "O objetivo é fazer parcerias com outros centros culturais. Está para vir um projeto conjunto com a Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), para uma exposição em Mariana", revela a artista.

São opções para todos os gostos e bolsos - Jair Amaral/EM/D.A Press São opções para todos os gostos e bolsos

A partir de agosto, será ainda concebida no centro uma cafeteria e bistrô. "Pequeno, mas bem aconchegante. Terá o comando de Gastón Almada, que inclusive trabalha com a comunidade carente oferecendo cursos de fabricação de pães gratuitamente. Ele deve ministrar essas aulas aqui também", adianta Cynthia Rabello.

Para a fundadora do BHArt, a maior importância dessa iniciativa é o resgate e a valorização dos trabalhos artesanais. "São artistas que fazem peças lindas, mas enfrentam dificuldades na comercialização, principalmente por causa dos atravessadores. Dessa forma, acabam não sendo reconhecidos e ficam sem o retorno desse esforço todo. Muitas vezes, a loja oferece o produto mas não faz a mínima questão de apresentar a história do autor da obra para os clientes. E a maioria dos artesãos dedica a vida a isso", critica.

Reciclagem

O argentino Exequiel Duarte mora em Belo Horizonte há 16 anos e começou a participar do projeto ao lado de Cynthia a partir de 2016. Primeiro como um integrante da loja e, agora, dentro do grupo de curadoria. Ele conta que ajuda na escolha das peças, com uma percepção orientada para seguir o estilo do espaço. "Quando o espaço colaborativo surgiu, os artesãos passaram a atuar mais ativamente no centro cultural, com os cursos e oficinas", diz. Exequiel ministra as aulas de mosaico e o retorno é mais do que positivo.

Peças primam pela qualidade, criatividade e beleza - BHArt/Reprodução/Facebook Peças primam pela qualidade, criatividade e beleza
No trabalho com o mosaico, o artista exalta a utilização de itens reciclados para a produção dos objetos. "Uso material encontrado na rua ou doado por pessoas que conhecem meu modo de trabalhar". São luminárias, garrafas, vidros, transformados com diferentes tipos de matéria-prima, entre as mais inusitadas. "As pessoas ficam surpresas quando revelo de onde vem o material. Se comparado com a técnica tradicional do mosaico, o método é muito similar, mas se diferencia justamente pelo reaproveitamento", salienta.

Exequiel faz questão de lembrar que a ideia do centro cultural e da loja é ser um espaço de convívio, onde os artesãos podem comercializar os produtos, priorizando a qualidade."Imagino que, para os profissionais, o fato de ser desafiado a apresentar produtos novos e em inovar faz grande diferença nas vendas, em um segundo momento. Trabalhos originais e com bom acabamento é o que as pessoas estão procurando", ressalta.

De passagem pelos arredores da loja, a violinista Fernanda Monteiro, de 30 anos, ficou atraída e logo entrou. Na primeira vez que visitou o local, ela se surpreendeu com a beleza das peças. "Gostei muito. Adoro o trabalho artesanal, e aqui é tudo de muito bom gosto. Como sou do meio artístico, me familiarizo com esse estilo. É uma coisa que não se vê todo dia, em qualquer lugar", finaliza.


Serviço
III Feira de Artesanato Mineiro BHArt
Sexta-feira, 4 de agosto, de 13h às 22h
Na Casa Ateliê, Rua Gonçalves Dias, 3.182, Santo Agostinho
Entrada gratuita

Centro Cultural Brilho Handmade Art
Rua Paracatu, 1.003, Santo Agostinho
Informações: 98225.5711
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