Máximo conforto

Pousada em Tiradentes sintoniza arquitetura, bem-estar e natureza

Construção se aninha entre a vegetação nativa e as montanhas mineiras, em meio a um cenário cheio de história, para oferecer aos usuários momentos de tranquilidade e relaxamento total

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postado em 25/05/2018 09:00 / atualizado em 30/05/2018 13:47 Joana Tavares /Lugar Certo
Jô Moreira/Divulgação

Um refúgio abrigado entre as montanhas, na transição da mata atlântica e o cerrado, envolto por uma rica paisagem. Em meio a casarios históricos, igrejas e museus, o lugar perfeito para esquecer a correria do dia a dia, fugir da grande cidade, e aproveitar momentos de puro relaxamento e experiências únicas. Um ambiente onde a arquitetura foi especialmente planejada para dialogar com a natureza, em uma conversa sintonizada em cada detalhe, seja estrutural ou simplesmente decorativo, da qual o resultado é uma vivência particularmente diversa. E isso acompanhado de serviços de primeiro mundo.

Esse cenário idílico existe, e fica perto de Belo Horizonte. Inaugurada em 2011, em Tiradentes, a 190 quilômetros da capital, a pousada boutique Oratório, no pé da Serra de São José, lança mão da beleza exuberante da região para harmonizar bem-estar, aconchego, estilo e bom gosto, em termos de projeto, e fornecer aos visitantes espaços ideais para desacelerar e se conectar com o universo. O encanto natural é forte aliado para promover instantes de descanso e revitalização que os viajantes tanto almejam.

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Apostando no conceito pioneiro na cidade, que prima pelo atendimento personalizado, o lugar é o sonho concretizado do casal Lourenço Machado Gontijo e Maria Luiza Lemos Gontijo. Eles sempre desejaram ter uma pousada e, depois de rodar o país em busca de um local perfeito para o projeto, antes com a ideia de se instalar no litoral, acabaram voltando a terras mineiras e ancorando no município histórico, pensando em se manter mais próximos da família.

“Em Tiradentes, o turismo está em crescimento e enxergamos uma boa oportunidade de negócio. É um tipo de público e de mercado promissores. Atuando no princípio de hotelaria boutique, a pousada é a única na cidade. Pequena e exclusiva, segue uma tendência que trabalha com o atendimento individualizado, em um ambiente com estruturas arquitetônicas e decoração esmeradas. Começamos a incorporar a proposta e deu certo. Não se adequa ao perfil da Serra do Cipó, por exemplo”, contam.


A compra do lote foi em 2006, onde à época estava uma pequena casa. O começo das intervenções aconteceu em 2008 e a construção foi realizada em etapas, concluída três anos depois. Ao pavimento único original, foi adicionado o segundo andar para moradia dos proprietários, além de todos os corredores para as acomodações de hospedagem. Entre 2012 e 2015, o tempo foi de crescimento e consolidação.

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No início do projeto, uma das decisões era que as instalações estivessem resguardadas da chuva, com a circulação seca e protegida, de maneira com que o carro parasse para descer com as bagagens em área coberta. Outras premissas incluíam a vontade de ter os quartos com a vista para a serra, mas não devassados, além da conservação da flora nativa do terreno.


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São 11 suítes, incluindo oito do tipo luxo e três superluxo, essas últimas com o diferencial de contar com banheira de hidromassagem e varanda com rede. A pousada dispõe ainda de um dormitório acessível para deficientes físicos, uma linda sala para café da manhã com fogão a lenha, espaço gourmet, piscina em feitio orgânico com chaises e sauna, e cômodo para massagem com atividade terceirizada. No living finamente ornamentado, o pé-direito duplo, imponente, aproveita a enorme superfície envidraçada para abrir ainda mais o panorama ao horizonte, no cômodo que também oferece o calor de uma lareira para as épocas de frio.

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Contemporaneidade que inspira 

O projeto de arquitetura é assinado por Lizandro Melo Franco, o arranjo decorativo ficou a cargo de Mariângela Costa e o engenheiro responsável é Sérgio Melone. Lizandro conta que o primeiro desafio para o plano da pousada partiu da percepção de estar dentro de uma cidade que é patrimônio nacional e detentora de um dos acervos arquitetônicos mais expressivos de Minas Gerais e do Brail. "Ao adequar-se a um município tombado, a intenção é não imitar e não fazer nada igual ao que já existe em Tiradentes, com o risco de incorrer no falso histórico. Seriam, então, dois erros: fazer algo completamente distinto e indevido, ou extremamente parecido. Utilizando dimensões e volumetrias condizentes com o contexto, optei pela contemporaneidade, concebendo um projeto coerente com a região", descreve o arquiteto.

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Na hora da distribuição espacial, o objetivo, segundo o profissional, era não ter cara de hotel, muito impessoal, e também dar autonomia a cada visitante, que pode transitar por caminhos não tão abertos, com privacidade ou, se preferir, utlizar o pátio central que convida à convivência. "A pousada atende vários tipos de hóspede, tanto o que quer interação, quanto quem opta por estar mais reservado", explica.

Na seleção dos materiais para a obra, Lizandro cita alvenaria pintada, concreto aparente remetendo a pedras, muita transparência, além do uso diferenciado das telhas de cerâmica que, recobrindo todos os apartamentos em meia água, caindo para um único lado, fazem nascer um certo ritmo construtivo. Outra decisão é a opção por esquadrias eficientes que, herméticas, não geram barulho e, na cor branca, se inserem bem na arquitetura.

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No geral, os espaços receberam generosas peles em vidro, permitindo que o exterior adentre os ambientes internos, o que transmite uma sensação de paz e equilíbrio com o entorno. “A arquitetura e a decoração chamam a atenção dos hóspedes, que ficam encantados e buscam ideias. É mesmo uma fonte de inspiração”, dizem os donos.

Um argumento fundamental do projeto é ser moderno, atender aos requisitos da atualidade, perseguindo o bem-estar, que é a vontade de toda pessoa que procura uma pousada. O planejamento, conforme o arquiteto, é compatível com a atmosfera de ancestralidade de Tiradentes, sem esquecer de todas as comodidades da vida hodierna.

Entusiasmo mineiro com um toque de arte

Na decoração, o clima barroco de Tiradentes dá origem à mescla entre um rústico chique com o tom de modernidade próprio da arquitetura especificada na pousada, beneficiando-se do contraste entre o novo e o antigo, salienta Mariângela Costa. "O propósito é absorver ao máximo a mão de obra dos arredores, introduzindo-a nos revestimentos, nos adornos e no mobiliário", afirma. Nos vestiários adjacentes à piscina e no espaço gourmet, onde é servido o café da tarde, tijolinhos de adobe dão graça à harmonização, sem contar as peças de serralheria de fabricação local.

Ladrilhos hidráulicos compõem as cabeceiras nos quartos, onde a pintura das paredes segue suas tonalidades, enquanto o cimento queimado e a madeira de demolição são escolhas de charme. A sala do café da manhã realça, no acabamento do teto, um desenho de palha trançada patinada. Na paleta de cores variada, a preferência é pelas matizes terrosas. A triagem pela mobília e pelos conjuntos de cama e banho traz o zelo extremo pelo conforto, desde a opção pelos melhores lençóis e travesseiros até os sofás, mesas e cadeiras, tudo escolhido a dedo.

Em detalhes dispostos por todos ambientes, telas, objetos e demais componentes do design de interiores (muitos à venda) invocam um grande acento de mineiridade e também a exaltação da produção nacional. A composição valoriza itens regionais, com artesanato e obras artísticas de autores das proximidades, como Sérgio Ramos, Oscar Araripe, Joelma Marques, Henrique Castilho e Marta Mucci, da etiqueta Bicho do Mato, além de peças da loja Brasileirinho que, sob comando do casal André Marcos e Priscila Costa, garimpa elementos da arte popular brasileira por todo país para formar um acervo admirável.

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Na recepção, o destaque fica para a parede coberta por uma montagem com oratórios. No jardim, uma vistosa edícula adornada por uma pintura com uma versão da Sagrada Família, do artista plástico Estevão Machado, ao lado de uma escultura de São Francisco de Assis, de Leda Selmi Dei Gontijo, atrai a curiosidade e marca presença.

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Misturando elegância ao luxo despojado, o design da pousada mergulha em um olhar apurado para chegar até um conforto casual e despretensioso, muito antes primoroso, que abraça a oportunidade de combinar natureza e arquitetura. “Com acabamentos sofisticados e um leiaute clean e moderno, a intenção é não agredir o meio ambiente. Pelo contrário, integrar-se a ele”, descrevem Lourenço e Malu.

Responsabilidade ambiental

Em um terreno de 7 mil m² e 1,2 mil m² de área construída, a pousada tira proveito de uma visão privilegiada para a serra. A sustentabilidade é, portanto, outro pilar da concepção da obra, que utiliza aquecimento solar na cozinha e no ambiente de café da manhã, reusa água pluvial nas descargas, define piso ecológico permeável no estacionamento, e participa do programa de coleta seletiva da cidade para reciclagem do lixo.

Jô Moreira/Divulgação

A convivência íntima com animais é mais um ponto de união com a natureza: simpáticos micos e pássaros como jacus, sanhaços, trinca-ferros, sabiás, bem-te-vis, saíras, tizius, canários e tucanos adoram passear pela pousada. O espaço plenamente arborizado possibilita vislumbrar espécies como orquídeas, pau-d’alho, copaíba, magnólia, goiabeira, mexeriqueira, limoeiro, aroeira, pimenta rosa, abacateiro, mangueira, além dos dez ipês plantados por Lourenço e Malu, entre amarelos, roxos e rosas.

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O trabalho com a Oratório já rendeu prêmios, como vários troféus pelo TripAdvisor Travellers Choice, ocasiões em que a pousada figurou entre os 25 melhores estabelecimentos em sua categoria, sendo que, em 2014, foi agraciada com o primeiro lugar em quatro segmentos - hotéis de pequeno porte, luxo, melhor serviço e românticos.
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