Beleza dentro de casa

Objetos feitos por reaproveitamento florestal dão ar de rusticidade e aconchego ao ambiente

Peças como gamelas, bancos, abajures, entre outros, voltam à cena na decoração pelas mãos de artesão autodidata

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postado em 04/08/2018 14:20 / atualizado em 04/08/2018 18:51 Lilian Monteiro /Estado de Minas

O dentista mineiro Luiz Leite Vieira se descobriu artesão autodidata e se dedica às atividades nos fins de semana - Cecília Arbolave/Divulgação O dentista mineiro Luiz Leite Vieira se descobriu artesão autodidata e se dedica às atividades nos fins de semana

Quem se liga em decoração e design de interiores, certamente, já ouviu falar da psicologia dos ambientes. Ou seja, cada peça, material, cor, textura e iluminação influenciam na concepção do espaço. A madeira assegura sensação de conforto, aconchego, tem temperatura e aquece na medida certa. É agradável ao toque e encanta o olhar. E, se a origem das peças criadas a partir desse material tem compromisso com a sustentabilidade, o valor agregado é ainda maior. Esse é o trabalho do dentista Luiz Leite Vieira, mineiro de Poços de Caldas, que se descobriu artesão autodidata.

Há cinco anos, depois de uma viagem por Ouro Preto e Tiradentes e uma visita “impactante” a Inhotim, Luiz se deparou com restos de madeira que o inspiraram e o fizeram descobrir outra rota na vida. A partir de resíduos florestais, ele passou a criar gamelas, bancos e abajures, peças decorativas que já ganharam exposição tanto em sua cidade quanto em São Paulo. Beleza e rusticidade definem o trabalho da Corte da Terra, nome da marca, colocado por suas filhas.

Troncos e galhos vão ganhando forma e se transformando em móveis e peças decorativas - Cecília Arbolave/Divulgação Troncos e galhos vão ganhando forma e se transformando em móveis e peças decorativas

As criações de Luiz se dão a partir das formas que surgem em meio à natureza. Troncos de árvores caídas, galhos, resíduos de madeira de lei, como jacarandá, maçaranduba, pinheiro, nogueira e outras matérias que a natureza deixa à disposição do reaproveitamento. “Todas as peças são únicas, exclusivas e partem da madeira bruta. Depois de 40 anos como dentista, fazendo arte na boca, descobri outra faceta e também passei a usar outro tipo de broca. Sou dentista de segunda a quinta-feira, e artesão de sexta a domingo. Tenho um sítio, onde produzo frutas (cidra, goiaba, maracujá, mexerica) e, de repente, ao voltar de uma viagem, peguei um pedaço de madeira e saiu uma peça. Levei para casa, uma conhecida artista plástica viu, destacou a beleza, gostou, deu força e comecei a acreditar. Não parei mais.”

A habilidade das mãos de dentista deve ter influenciado, já que Luiz nunca tinha feito nenhum trabalho parecido e não tem qualquer influência de artistas na família. “A madeira ensina, mostra o caminho. É como lapidar uma pedra bruta para virar diamante. É importante ter coragem e responsabilidade. Gosto de design diferente, não tanto de linhas retas, e o mais legal é inventar, deixar a imaginação voar diante de cada madeira. Às vezes, estou dormindo e acordo já com a ideia de como transformar aquele tronco. As peças nascem naturalmente, não me espelho em ninguém.”

PERFUMADA

Gamelas nos mais diversos formatos já estiveram expostas até em São Paulo - Cecília Arbolave/Divulgação Gamelas nos mais diversos formatos já estiveram expostas até em São Paulo

Ao esculpir as peças em seu ateliê, Luiz respeita formas, cores e texturas originais. “No começo, fazia tudo na mão. Aos poucos, fui comprando ferramentas, adaptando outras, sempre sozinho. Não são peças padronizadas, mas únicas, cada uma de um jeito. Faço quando chega a inspiração e nos momentos em que preciso fugir do estresse, esquecer dos problemas. Foi uma descoberta para mim e surpresa para a família. Tenho habilidade com as mãos, mas preciso ter muito cuidado, não posso machucá-las, já que continuo sendo dentista. As peças exigem destreza. Exemplo: de um tronco cortei duas peças para virarem gamelas, só que uma delas lixei demais, e acabou furando. Ao observá-la melhor, o furo era um coração perfeito. Estava pronta a peça para decorar qualquer ambiente. Em outra, depois de um corte, apareceu o mapa do Brasil. Enfim, a madeira também fala. Não desenho, é a natureza que me conduz.”

Cecília Arbolave/Divulgação

Luiz destaca que não usa nenhum produto agressivo, apenas produtos que a protejam, como a vaselina, para que não fique ressecada, mas úmida e ainda mais bonita. Os preços das peças da Corte da Terra variam, na média de R$ 200. O dentista-artesão gosta de destacar a força e a beleza da natureza, que, depois de morta, ganha vida de várias formas. “É poderosa e bela demais. Tenho trabalhado com nós do pinheiro com tom avermelhado, que encanta qualquer um, e também com a sassáfras, que, de tão perfumada, basta mexer com a madeira para que o cheiro tome conta do ambiente. Não faço nada caro, quero que as pessoas levem as peças para suas casas. Para falar com o Luiz, mande e-mail para cortedaterra@gmail.com.

Madeira na decoração significa

- Aspecto rústico, sem deixar de inovar
- Contraponto entre o bruto, o moderno e o clean
- Material resistente
- Garantia de conforto e aconchego
- Manter clima natural e agradável
- Combinar com muitos estilos, cores e texturas
- Poder estar presente em móveis, pisos, paredes e adornos...
- Agregar riqueza visual ao ambiente
- Um dos materiais preferidos no mundo da decoração pela durabilidade, versatilidade e isolamento
- Remeter ao mundo natural
- Possibilitar tanto a reutilização quanto a transformação de peças antigas em novas

Cecília Arbolave/Divulgação

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