Erros na execução do projeto podem levar a danos

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postado em 03/12/2006 13:12
Foi um erro na execução do projeto que quase levou às ruínas toda o obra artística da Igreja São Francisco de Assis, mais conhecida como Igrejinha da Pampulha, inaugurada em 1945, às margens de um dos mais belos conjuntos arquitetônicos e paisagísticos de Belo Horizonte, a Lagoa da Pampulha.

A Igrejinha, que reúne trabalho de grandes expoentes da arte brasileira, como Oscar Niemeyer, Cândido Portinari, Alfredo Ceschiatti, Burle Marx e Paulo Werneck, teve toda a sua estrutura prejudicada por rachaduras e infiltrações ainda no começo dos anos 50.

A explicação de especialistas é simples: as três juntas de dilatação, projetadas pelo engenheiro calculista Joaquim Cardoso, responsável pela construção desta e de outras famosas obras do arquiteto Oscar Niemeyer, inclusive parte do plano-piloto de Brasília, não foram executadas no início da obra. Resultado: imensas rachaduras na cobertura e deterioramento de toda a área interna da igreja provocada por infiltrações.

Segundo José Eduardo de Aguiar, engenheiro e diretor-técnico da Recuperação Engenharia, empresa contratada em 2000 para a recuperação da estrutura da Igrejinha, muitos trabalhos foram feitos anteriormente para tentar solucionar o problema. José Eduardo lembra que em 1990 foi feita a primeira grande intervenção, porém sem sucesso. “Apesar de terem impermeabilizado corretamente as juntas com manta asfáltica flexível, um outro erro foi cometido. Cobriram as juntas, já impermeabilizadas, com as pastilhas da parte externa da cobertura da igreja, impossibilitando a movimentação da estrutura. Assim, as rachaduras se transferiram para a casca e, logo após a obra, toda a camada externa de pastilhas caiu”, conta.

Para solucionar definitivamente o problema, a Recuperação Engenharia, empresa de consultoria, estudos e projetos em patologia e durabilidade de estruturas de concreto e metálicas, foi contratada para estudar o caso. Foram nove meses de estudos da estrutura, insolação, temperatura, entre outros fatores relevantes.

“Chegamos à conclusão de que deveriam ser removidas todas as pastilhas, alinhar as duas juntas que se abriram espontaneamente e abrir mais uma junta. Depois, o revestimento com as pastilhas deveria deixar o espaço das juntas livres para movimentação”, explica José Eduardo. Para não haver infiltrações foram colocados perfis de alumínio com borrachas de neoprene. As obras ficaram prontas em dezembro de 2005.

Desabamento

Até mesmo os casos extremos das edificações podem ser resolvidos se diagnosticados a tempo. A empresa de José Eduardo trabalhou na recuperação do Palace 1, logo após o desabamento do edifício vizinho, da mesma construtora, o Palace 2, em 1998, no Rio de Janeiro, matando oito pessoas. Segundo o engenheiro, o principal motivo da queda do edifício foi um erro de projeto. “Por isso, passamos dois meses estudando as condições do Palace 1 e percebemos trincas nos pilares. Tomamos todas as providências necessárias. Fizemos um reforço e alargamento da sessão do pilar do edifício”, garante.

José Eduardo atenta para a definição do tipo de rachadura e assim a tomada da melhor decisão. De acordo com ele, as rachaduras estacionárias são aquelas paradas e de mais fácil solução. Geralmente, são colocadas natas de cimento para tapar as falhas e evitar a entrada de água ou gases da atmosfera. Já as rachaduras progressivas, aquelas crescentes, são mais difíceis. “Neste caso, é fundamental impedir as rachaduras de crescerem. Para isso, deve-se atuar na causa, cessando os seus possíveis efeitos.”
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