A escolha de um terreno adequado é passo importante para que o projeto da casa saia do papel a um custo compatível com os recursos disponíveis. Devem nortear a decisão de compra, além de critérios como preço, localização e documentação em dia, aspectos do terreno como topografia, características do solo e até as leis ambientais e de uso e ocupação da localidade onde ele está situado, que impõem regras e limitações para a construção.
O engenheiro civil Éder Ferreira Oliveira observa que a topografia e as características do solo do terreno influem diretamente no custo da fundação, uma das etapas mais relevantes do processo construtivo. Ele explica que a para construir uma casa plana em um terreno íngreme, por exemplo, os gastos com a movimentação de terra elevam, em muito, o custo da obra. Da mesma forma que erguer uma construção em solo saturado, como um brejo, significa gastar muitos recursos somente com a fundação, sendo que em casos mais críticos a obra pode até ser inviável.
Já Carlos Alexandre de Freitas Jorge, vice-presidente de Atividades Técnicas da Abrasip-MG, adverte que conhecer as leis locais de meio ambiente e de uso e ocupação do solo é fundamental para saber que tipo de construção poderá ser feito no terreno. “A legislação do município e até as normas de um condomínio impõem uma série de restrições construtivas. Por isso, antes de comprar um terreno, é preciso saber com objetividade o que poderá ser construído ali.”
CONSULTORIA Para prevenir decepções e prejuízos com a compra de um terreno inadequado, Éder recomenda a contratação de um profissional da área de construção, que poderá orientar o cliente em todos esses aspectos. Carlos Alexandre concorda e considera que a consultoria pode ser prestada pelo arquiteto que será responsável pelo desenvolvimento do projeto arquitetônico. “Ele pode ser chamado para prestar a consultoria na compra do terreno e, posteriormente, contratado para desenvolver o estudo preliminar e o projeto arquitetônico da casa”, diz.
Mesmo com a orientação de um profissional da área para a escolha do terreno, Éder defende que, antes de assinar o contrato de compra, o interessado deve pedir um levantamento planialtimétrico do terreno, uma completa radiografia do relevo e topografia do imóvel. O estudo é um dos instrumentos fundamentais do arquiteto para o desenvolvimento do projeto arquitetônico da casa. Para isso, será necessária a contratação de um topógrafo. “Eu mesmo não compro nenhum terreno sem antes fazer esse levantamento para checar se a construção que quero fazer pode de fato ser implantada naquela área”, admite.