Concepção chega para ficar

Preocupação com o meio ambiente começa na escolha do terreno e permeia todos os processos de edificação, para permitir reaproveitamento de resíduos e obra limpa

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postado em 29/10/2009 16:29 Humberto Siqueira /Estado de Minas
Arquiteto Alexandre Bragança explica que o conceito ambiental causa impacto nos custos, mas se paga a longo prazo - Jair Amaral/EM/D.A Press Arquiteto Alexandre Bragança explica que o conceito ambiental causa impacto nos custos, mas se paga a longo prazo
Na construção verde, a preocupação com o meio ambiente começa ainda na escolha do terreno. Deve gerar o mínimo possível de intervenção, como remoção de terras, ter fácil acesso a transportes e permitir o reaproveitamento de resíduos. A própria obra em si já é diferente. O ambiente é limpo, valorizando os operários e a qualidade de vida dos vizinhos.

Na concepção da sede da Forluz, houve um grande cuidado com a especificação de materiais para a composição do edifício, sendo adotados itens que apresentam alto índice de conteúdo reciclado e outros que apresentam baixo índice de compostos orgânicos voláteis. O projeto estrutural adotou o conceito da utilização de lajes nervuradas, que são construídas com moldes pré-fabricados de polipropileno, possibilitando total reaproveitamento.

O conceito causa um impacto nos custos. O arquiteto Alexandre Bragança calcula que isso encarece a obra entre 7% e 15%. "Mas se paga a longo prazo", afirma. Dados do Green Building Council do Brasil (GBC do Brasil) demonstram que um prédio sustentável tem custos de condomínio entre 8% e 10% menores. Além disso, estudos demonstram que de todo o dinheiro injetado em um edifício durante sua vida útil, apenas 20% equivale à construção. Os outros 80% são despesas de operação e manutenção durante sua vida útil.

Alexandre esclarece que o retorno de um investimento do porte do novo endereço da Forluz varia, dependendo do grau de investimento e da utilização. "Aqui no Brasil esse assunto está começando a ser estudado e os dados ainda estão sendo moldados. Algumas pesquisas já realizadas nos EUA apontam um retorno em aproximadamente 24 meses, mas a situação lá diverge bastante da nossa, pois o custo de energia é significativamente mais alto."

Valorização na revenda é mais uma vantagem apontada pelo GBC do Brasil. Um edifício verde tem valorização 7% maior do que outro sem o selo. O prédio verde pode aproveitar água de torneiras para descarga de banheiro, faz uso de motores e lâmpadas de longa vida e do cimento conhecido como CP3. Uma variedade que usa escórias de alto-forno em sua composição, evitando que esse material seja descartado e agrida a natureza. Deve, ainda, reaproveitar 10% dos resíduos gerados na própria construção.

LUZ NATURAL


O projeto levou em consideração a melhor insolação para o edifício. As fachadas Norte e Sul receberão vidro e as fachadas Leste e Oeste, atingidas por grande incidência solar, são cegas. A utilização de grandes áreas envidraçadas permitirá que o edifício tenha iluminação natural em 75% de suas áreas, sendo que 90% delas terão acesso visual às paisagens externas. Segundo Sandra Botrel, responsável pelo projeto de condicionamento de ar, "o vidro permite a entrada da luz, mas retém o calor, gerando uma redução considerável na demanda do condicionamento de ar, que em geral corresponde por 60% do consumo de energia de um edifício".

A automação assume o papel de cérebro dos sistemas operantes no edifício, realizando medições e comparando dados que fazem com que o edifício funcione melhor. Os sistemas da automação vão controlar desde o tráfego de elevadores até os sistemas de irrigação, passando pela medição de temperaturas externas e internas, controle das esquadrias e do sistema de condicionamento de ar. "A automação otimizará o funcionamento do prédio e é um instrumento essencial para a sustentabilidade do projeto", explica Flávia Mansur, arquiteta responsável pela coordenação dos 29 projetos paralelos.

O sistema hidráulico proposto prevê água não potável em todos os jardins e para os sistemas de descarga, que, aliados a especificação de sistemas – mictórios, bacias sanitárias, torneiras e chuveiros – de baixo consumo, proporcionarão uma redução no consumo acima de 40%. A inteligência e a eficiência da construção não prescindem de conforto, não abrem mão de tecnologias, da qualidade de vida e do bom senso. O selo verde em construções é o futuro. A questão não é em quanto tempo essa evolução será promovida, mas sim a forma como será feita. Os interessados em buscar a certificação podem acessar o site www.usgbc.org. São quatro modalidades de certificação: normal, prata, ouro e platinum.
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