Terrenos escassos

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postado em 20/02/2011 11:14 Júnia Leticia /Estado de Minas
Evandro Negrão de Lima  Júnior, da CMI/Secovi-MG, cobra a redução de juros - Eduardo Almeida/RA Studio Evandro Negrão de Lima Júnior, da CMI/Secovi-MG, cobra a redução de juros
Pensar em bairros periféricos implica investimento em áreas que ainda não têm todo o seu potencial construtivo explorado, o que poderia contribuir para amenizar a falta de moradia se a questão fosse a disponibilidade de lotes. "Discordo que não há terrenos, porque existem muitas áreas públicas que podem ser destinadas para fins sociais, já que o déficit habitacional está concentrado na faixa de até três salários mínimos", considera o vice-presidente das incorporadoras da CMI/Secovi-MG, Evandro Negrão de Lima Júnior.

O arquiteto Júlio Tôrres também observa que há disponibilidade de terrenos em áreas mais afastadas da Região Central. Segundo ele, grandes construtoras vêm buscando esses locais e já começam a surgir empreendimentos. "Normalmente, são projetos que passam por aprovação mais morosa e que, por isso, ainda não apareceram com força no nosso mercado."

Com isso, locais da Grande BH começam a ver surgir empreendimentos de grande porte. "As áreas próximas ao Centro Administrativo (Vetor Norte), Ribeirão das Neves, Betim e Contagem são algumas delas", exemplifica.Outra alternativa que pode ser levantada é a revitalização de imóveis antigos abandonados, encontrados em alguns pontos da cidade, principalmente nas regiões Central e Sul. Construções que, muitas vezes, servem de abrigo para pessoas em situação de risco e animais. "Diversos imóveis vêm se deteriorando por falta de recursos por parte dos proprietários para sua manutenção", observa Júlio.

De acordo com o arquiteto, nesses casos, também é comum que haja disputas judiciais por parte dos herdeiros dos proprietários originais. "Aí, o imóvel torna-se terra de ninguém enquanto corre o processo, que pode desdobrar-se por muitos anos. Nesse ínterim, o bem deixa de ser mantido e pode tornar-se alvo de invasões."

Mesmo assim, Evandro revela que já existem muitos projetos de retrofit, que buscam a revitalização desses imóveis. "Eles pegam os mais antigos e reformam toda a edificação, tornando-a apta para ser utilizada como moradia ou escritório. Há, também, programas de requalificação de áreas, como ocorreu no Centro, em que muitos imóveis comerciais ou áreas degradadas foram transformados em residenciais."

Apesar de haver essas alternativas, o custo da construção ainda dificulta um investimento pesado. Segundo Evandro, o programa Minha casa, minha vida é um exemplo de investimento para tentar sanar esse déficit. No entanto, ele reconhece que o custo da unidade dificulta. "O caminho para combater a carência habitacional é, cada vez mais, ter juros declinantes e facilitação de crédito, além de investir em políticas de subsídio quanto à questão salarial", sugere.
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