Poupar a natureza é viável

Entidade lança manual que ensina a destinar corretamente lixo de construções em drywall

Material divulgado pela Associação Brasileira de Drywall orienta empresas a adotar práticas corretas de coleta e armazenagem de resíduos de gesso e outros produtos

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postado em 04/10/2012 10:43 / atualizado em 04/10/2012 10:59 Humberto Siqueira /Estado de Minas
Resíduos de gesso passaram de lixo a matéria-prima para a própria indústria de drywall e outros segmentos
 - Associação Brasileira de Drywall/Divulgação Resíduos de gesso passaram de lixo a matéria-prima para a própria indústria de drywall e outros segmentos

O consumo de gesso tem crescido ano após ano no Brasil. Um bom indicativo é o consumo de chapas para drywall, que de 2001 para 2011 apresentou um salto de mais de 300%, saindo de 11,8 milhões de metros quadrados para 39 milhões de metros quadrados. E o consumo se mantém em alta. No primeiro semestre deste ano, a Associação Brasileira de Drywall (ABD) registrou um crescimento de 10% sobre o mesmo período do ano passado.

A maior presença no canteiro de obras significa um aumento direto de resíduos de gesso. Pensando nisso, a ABD acaba de lançar o Manual de resíduos de gesso na construção civil – Coleta, armazenagem e reciclagem, que inclui todas as alterações da legislação brasileira. O objetivo é orientar as construtoras a adotar práticas corretas de coleta e armazenagem seletiva.

Toda aplicação do produto gera resíduo, seja nas vedações internas (paredes, forros e revestimentos), diretamente em paredes, como material de fundição, em placas de forro, sancas, molduras e outras peças de acabamento ou decoração. Ao contrário do que se imaginava até há bem pouco tempo, esses resíduos não são lixo, mas matéria-prima para a própria indústria de drywall e outros segmentos.

A gestão dos resíduos, da mesma forma que ocorre com outros materiais empregados nos canteiros de obras, passou a demandar atenção cada vez maior dos construtores, em razão das exigências da legislação ambiental brasileira. Uma boa gestão ambiental do canteiro de obras gera qualidade e produtividade, contribuindo para a diminuição dos acidentes de trabalho, além de reduzir os custos de produção dos empreendimentos e de destinação dos resíduos.

Engenheiro e consultor técnico da ABD, Carlos Roberto de Luca diz que os fabricantes de placas de gesso para drywall podem incorporar os resíduos em seus processos industriais  - Associação Brasileira de Drywall/Divulgação Engenheiro e consultor técnico da ABD, Carlos Roberto de Luca diz que os fabricantes de placas de gesso para drywall podem incorporar os resíduos em seus processos industriais
Segundo Carlos Roberto de Luca, engenheiro e consultor técnico da ABD, o manual vem para orientar todos que trabalham com o gesso, a partir da mudança de classificação do produto pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). “Estávamos na classe C, onde ficamos por 11 anos. Os resíduos, nessa classe, não são considerados recicláveis e são descartados. Fizemos um trabalho para mostrar que o gesso pode, sim, ser reaproveitado. E ele foi reclassificado na classe B”, esclarece.

PROCESSO

O gesso é feito a partir da gipsita, minério que é um sulfato de cálcio bi-hidratado. Para virar o gesso, como conhecemos, a gipsita é desidratada. Na construção civil, ela recebe água novamente e se cristaliza. Esse processo pode ser repetido inúmeras vezes.

O local de armazenagem dos resíduos do gesso na obra deve ser seco. O material pode ser guardado em caixa com piso concretado ou em caçamba, desde que o local seja coberto e protegido das chuvas e outros possíveis contatos com água. Já estão em operação em vários municípios brasileiros as áreas de transbordo e triagem (ATTs), licenciadas pelas prefeituras para receber resíduos de gesso, entre outros materiais. “O desafio agora é levar essa mudança de classificação do gesso ao conhecimento das ATTs, para que aceitem e reciclem o gesso”, afirma o engenheiro.

A ATT Gramadus, em Contagem, recebe resíduos da Região Metropolitana de Belo Horizonte. De acordo com Júlio Alves Rios, diretor da ATT, há quatro anos ela recebe o gesso, mesmo antes da alteração do Conama. “Já encaminhamos mais de mil toneladas de resíduos de gesso para uma indústria cimenteira. Mas ela deixou de usar o resíduo em sua composição. Agora, estamos prestes a estabelecer uma nova parceria para retomar o reaproveitamento.”

Opção para economizar
Ao comprar o produto reciclado na própria região, as cimenteiras ganham, já que o gesso brasileiro é encontrado somente no Nordeste

Foto mostra restos de material que podem ser reciclados - Associação Brasileira de Drywall/Divulgação Foto mostra restos de material que podem ser reciclados
Em ordem de importância pelo volume de resíduos gerados nas obras estão o gesso para revestimento, placas e ornamentos de gesso fundido, chapas para drywall e massas para tratamento de juntas de sistemas drywall. Existem empresas que respondem pela coleta dos resíduos nas obras, mediante o pagamento de uma determinada taxa por metro cúbico. As áreas de transbordo e triagem (ATTs), depois de triar e homogeneizar os resíduos, vendem-nos para os setores que farão a sua reciclagem.

Depois da separação de outros resíduos da construção, os restos de gesso readquirem as características químicas da gipsita. Desse modo, o material limpo pode ser utilizado novamente na cadeia produtiva. Desde o fim dos anos 1990, vêm sendo pesquisados métodos de reciclagem do gesso usado na construção civil e já se avançou de forma significativa em pelo menos três frentes de reaproveitamento desse material: na indústria de cimento, na agricultura e no próprio setor de transformação de gesso.

Na fabricação do cimento, o gesso é um ingrediente útil e necessário, sendo adicionado em pequena proporção (cerca de 5%). Ele atua como retardante de pega, ou seja, torna o cimento mais “trabalhável”. Caso contrário, endureceria muito rápido. Como há fábricas de cimento espalhadas por todo o país, sempre haverá unidades relativamente próximas às ATTs, facilitando o transporte do gesso até elas.

Segundo Carlos Roberto de Luca, engenheiro e consultor técnico da Associação Brasileira de Drywall, o uso de gesso no setor cimenteiro é particularmente econômico. “O gesso brasileiro é um dos melhores do mundo. Tem uma ótima qualidade. Mas temos um problema: ele só é encontrado no Nordeste, o que torna os custos de transporte elevados, mais caros até que o próprio gesso. Ao comprar o gesso reciclado, de ATTs mais próximas, as cimenteiras têm uma enorme economia”, explica.

APLICAÇÕES

Operário aplica placa de drywall - Associação Brasileira de Drywall/Divulgação Operário aplica placa de drywall
O reuso pode ser feito também na agricultura. Segundo o professor Godofredo César Vitti, da Escola Superior de Agricultura da Universidade de São Paulo, o gesso tem quatro usos principais: como efeito fertilizante, já que é fonte de enxofre e de cálcio; como corretivo de solos sódicos (que ocorrem geralmente em regiões áridas ou semiáridas) possibilita também a recuperação de áreas canavieiras que tenham recebido aplicação de doses elevadas de vinhaça que apresentem excesso de potássio. Uma terceira aplicação é como condicionador de subsuperfície. Nos solos tropicais, em especial sob vegetação de cerrado, é frequente a deficiência de cálcio associada à toxicidade do alumínio, não só na camada arável mas também na subsuperfície. O uso do gesso agrícola permite elevar os teores de cálcio e diminuir os de alumínio, favorecendo o maior crescimento das raízes das plantas, dando-lhes mais vigor e mais resistência a doenças e pragas e a situações de déficit hídrico. Por fim, pode ser aproveitado ainda como condicionador de estercos, pois diminui as perdas de amônia e, com isso, torna os estercos mais eficientes como fertilizantes orgânicos naturais.

De acordo com Carlos Roberto, os fabricantes de chapas de gesso para drywall, assim como os de placas de gesso e outros artefatos produzidos com esse material, podem reincorporar seus resíduos, em certa proporção, em seus processos industriais. Essa opção ainda é pouco utilizada na prática, mas é igualmente viável dos pontos de vista técnico e econômico, em especial quando a geração de resíduos ocorre em local próximo a essas unidades fabris.

O QUE DIZ A LEI

Embora os resíduos da construção civil não sejam incluídos no sistema de logística reversa, têm uma regulamentação específica elaborada pelo Conama que explica e determina o que pode e deve ser feito com cada tipo de resíduo. Trata-se da Resolução Conama 307, de 2002, alterada pelas resoluções 431, de 2011, e 448, de 2012. A obrigação pela destinação correta dos resíduos é de quem os gerou. Essa é a regra descrita tanto na resolução do Conama quanto na Política Nacional de Resíduos Sólidos. Ou seja, a construtora, o prestador de serviços ou até mesmo o próprio fabricante do gesso, se for ele o gerador do resíduo, será o responsável pela sua correta destinação.

Tags: gesso,

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Bruno - 04 de Outubro às 12:51
Muito bom!!

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