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Artistas passam dez dias vivendo em uma roda de hamster gigante

Instalação é uma enorme casa circular que inclui quarto, banheiro e cozinha

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postado em 19/03/2014 13:23 / atualizado em 19/03/2014 13:33 Joana Gontijo /Lugar Certo
Scott Lynch/Gothamist/Reprodução
Imagine viver dentro de um círculo – não um tipo qualquer, mas na verdade uma roda de hamster gigante. Dois homens acabam de passar dez dias morando nesta estrutura incomum, uma instalação artística que ainda pode ser vista em uma galeria no Brooklyn, em Nova York. Entre 28 de fevereiro até o último dia 9, eles comeram, dormiram e trabalharam aí, se equilibrando com toda a técnica necessária para que o mecanismo funcionasse bem. A obra permanece em exposição até 5 de abril.


Ward Shelley , de 63 anos, e Alex Schweder, de 43, criaram uma casa circular que inclui banheiro, cozinha, quarto, água corrente e eletricidade, colocada na galeria The Boiler, no bairro de Williamsburg. Durante o tempo em que se empenharam na intervenção intitulada In Orbit (“em órbita”, em português), um deles ficava no topo da roda, enquanto o outro estava no interior de sua curva. Com movimentos combinados, os dois davam passos lentos (por questões de segurança) em direções opostas para atravessar os ambientes e chegar onde queriam, ficando constantemente em balanço.
Scott Lynch/Gothamist/Reprodução
Em entrevista à rede de TV americana CBS, Alex disse que não chamaria a instalação de uma roda de hamster. “Não é a mesma coisa. Acho que as pessoas relacionam com algo que é comum para elas o que não conhecem”. Nas duas áreas da peculiar residência, o mobiliário foi alinhado de forma planejada, exigindo que a dupla fizesse a mesma atividade ao mesmo tempo, em uma experiência que, sem dúvida, reforçou a amizade de quase dez anos. “É uma ideia de como uma estrutura pode influenciar no que nos tornamos. Nós estamos nos comunicando através da construção, e a sua própria natureza está transformando nossa relação”, continuou. “Não somos nós que construímos a casa, é ela que nos constrói. No fim, a materialização do plano de um artista, que poderia parecer sem razão para ser, ganha um significado diferente para cada pessoa”, acrescentou Ward.
Scott Lynch/Gothamist/Reprodução
Antes de começar a performance, os artistas garantiram que só sairiam da armação redonda de aço e madeira em caso de uma emergência real. As cores dos macacões de cada um (vermelho para Shelley e laranja para Schweder) foram especialmente escolhidas para combinar com os móveis, devidamente codificados ao conjunto específico. Com apelo visual muito interessante, a obra com altura equivalente a três andares, pouco mais de 18 metros, e seis metros de diâmetro, é extremamente interativa e atraiu a curiosidade de quem esteve no espaço. O público teve a oportunidade de conversar com os autores, que estavam ansiosos para falar sobre o processo de trabalho.
Scott Lynch/Gothamist/Reprodução
Scott Lynch/Gothamist/Reprodução
A construção da roda durou quatro semanas. Schweder, residente em Cambridge, na Inglaterra, é arquiteto formado e estuda para ser PhD na área, em 2015, e Shelley, morador da Big Apple, chamou alguns amigos engenheiros para fazer o levantamento da infra-estrutura precisa para certificar a segurança. Os criadores deste conceito tão diferente se conheceram na American Academy of Rome, em 2005. Como colegas, vêm atuando juntos desde então, até integrando um pequeno coletivo com outros quatro artistas. Eles têm levado sua obra para mais de 15 países, e mostram um currículo extenso, com bolsas de estudo e palestras em meios acadêmicos como Harvard e Yale.

Assista a reportagem da rede americana CBS, em inglês:


Tags: casa

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