Mercado em evolução

Desafio atual na construção civil é conseguir reter e qualificar as equipes de trabalho

Novas técnicas construtivas demandam trabalhadores mais capacitados para atender às demandas do setor

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postado em 17/07/2014 08:00 Celina Aquino /Estado de Minas
Para o diretor da Geraes Construtora, Ricardo Starling, o desafio é buscar processos que possam substituir o serviço mais braçal no canteiro de obras - Cristina Horta/EM/D.A Press Para o diretor da Geraes Construtora, Ricardo Starling, o desafio é buscar processos que possam substituir o serviço mais braçal no canteiro de obras
Já não se fala mais em escassez de mão de obra na construção civil. As empresas do setor agora conseguem com mais facilidade contratar operários para os canteiros de obras. O desafio é encontrar estratégias para reter e qualificar as equipes de trabalho.

Para o diretor de política e relações trabalhistas do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Ricardo Catão, a disponibilidade de mão de obra é interessante para as construtoras, considerando que a demanda por obras, principalmente de infraestrutura e moradia, está em alta no Brasil. Por outro lado, o cenário acaba beneficiando quem está mais preparado para o mercado de trabalho. “As empresas contratavam mesmo quando era o primeiro emprego porque precisavam de mão de obra. A ordem era treinar. Hoje, você encontra operários com experiência em obras prontas”, destaca. Além disso, o setor da construção civil continua a ser atrativo porque paga bons salários.

Mas ainda há muita mão de obra sem treinamento à procura de uma vaga no mercado de trabalho. Por isso, o Sinduscon-MG oferece cursos de qualificação em todas as áreas da construção civil, atendendo às necessidades de cada etapa da obra, da fundação ao acabamento, como carpinteiro, armador e pedreiro. “A qualificação é um problema intermitente. O trabalhador deve sempre buscar se atualizar”, pontua Catão.

Ao contrário do que imaginou o diretor-executivo do Instituto da Construção em Belo Horizonte, Raphael Menezes, a maioria dos alunos nunca trabalhou na construção civil e está de olho nas oportunidades oferecidas pela área, conhecida por pagar bem. Um pintor, por exemplo, recebe em média R$ 2 mil com carteira assinada na capital. Apenas 30% dos matriculados já estão inseridos nos canteiros de obras e buscam melhor colocação no mercado de trabalho, além de maior salário. “Observamos que a qualificação da mão de obra na área da construção civil é muito precária. O pedreiro entra como ajudante e vai aprendendo o ofício no dia a dia. Não existe uma metodologia”, comenta.

QUALIFICAÇÃO

Os cursos mais procurados no Instituto da Construção são de mestre de obras e eletricista, mas a demanda está crescente para as aulas de gesso acartonado, que ensinam a trabalhar com drywall. O diretor-executivo afirma que é grande a preocupação de capacitar mão de obra para novas técnicas construtivas, já que o mercado está em constante evolução. Além da prática, os alunos aprendem primeiros socorros, meio ambiente, normas e organização financeira. Existe também o interesse das construtoras de qualificar seus funcionários. “Tendo profissionais capacitados, as empresas deixam transparecer para o consumidor final a preocupação com a qualidade do serviço”, avalia Menezes.

De acordo com o diretor técnico da Geraes Construtora, Ricardo Starling, o desafio é buscar processos que possam substituir o serviço mais braçal no canteiro de obras. “Ninguém quer começar como ajudante ou servente. Os profissionais querem trabalhar em postos com mais qualificação”, destaca. O receio dele é ficar refém dos pré-fabricados diante da falta de mão de obra capacitada, o que pode aumentar cada vez mais o custo da construção e se tornar uma armadilha social com a diminuição de emprego. Por enquanto, a alternativa tem sido contratar operários de fora do Brasil. A empresa deu oportunidade para dois trabalhadores do Haiti, indicando uma tendência de importar mão de obra.

Para manter os postos de trabalho ocupados, a Geraes Construtura paga salários acima da média e incentiva a qualificação contínua, inclusive pagando treinamento externo. Starling comemora que pelo menos metade da equipe está há mais de 10 anos na empresa.

Tags: desafio

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação
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Rafael - 17 de Julho às 12:57
Realmente a dificuldade para se achar um bom profissional na construção civil é muito grande. Quando descobre um cara bom sempre está lotado de serviço e o custo lá em cima.

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