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Engenheiras comandam empresas que prestam serviço completo de reformas

Atentas a detalhes e de bom relacionamento com clientes e equipe colaboram para o reconhecimento das mulheres na construção civil

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postado em 09/02/2015 14:25 Carolina Cotta /Estado de Minas

As engenheiras Amanda Kelly, Alice Portela e Andrea Cristina, da Renovar Engenharia: empresa nasceu no curso de engenharia do Cefet-MG -  Euler Junior/EM/D.A Press As engenheiras Amanda Kelly, Alice Portela e Andrea Cristina, da Renovar Engenharia: empresa nasceu no curso de engenharia do Cefet-MG
 

Elas ainda são minoria nos cursos de engenharia, mas conquistam cada vez mais espaço no mercado de trabalho, ainda muito masculino. A imagem de que são exigentes, atentas a detalhes e de bom relacionamento com clientes e equipe colaboram para o reconhecimento das mulheres na construção civil. Tanto que já existem empresas onde o comando é exclusivamente feminino, mesmo que essa questão de gênero não tenha sido proposital.

A Renovar Engenharia nasceu no curso de engenharia de produção civil do Cefet-MG. Amanda Kelly Ponciano de Oliveira, Alice Portela e Andrea Cristina Barros de Oliveira fizeram o plano de negócios de uma empresa direcionada a projetos. Já no mercado e percebendo que existiam poucas empresas focadas em reformas, decidiram atuar nesse nicho. “Há empreiteiros, empresas de projetos e fornecedores de materiais, mas uma empresa que faça projetos, compras e acompanhamento do serviço é raro”, diz Alice.

O foco é prestar um serviço completo, no qual o proprietário do imóvel não tenha trabalho algum. Na Opla Engenharia, comandada por duas engenheiras, não foi muito diferente. A gerenciadora de obras rápidas de reforma surgiu para suprir a demanda do mercado por empresas que ofereçam obras rápidas, limpas, com qualidade e acabamento e disponibilidade em horários não convencionais. Consultorias, projetos arquitetônicos, execução e gerenciamento de obras e manutenção predial são alguns dos serviços.

Segundo Talitha Fidelis, uma das sócias fundadoras, o fato de serem três mulheres não foi um planejamento, mas sim uma junção de especialidades entre três amigas que já haviam ganhado experiência de mercado em diferentes áreas relacionadas à construção civil e decidiram aplicar seus conhecimentos de maneira integrada. O foco são reformas comerciais, em que atraso na obra significa dias a menos de operação e, consequentemente, de retorno financeiro.

 Euler Junior/EM/D.A Press


DIFERENCIAIS Elas acreditam ser mais sensíveis para entender as demandas dos clientes, facilitando o briefing das obras e projetos. Também são vistas como, naturalmente, mais pacientes e atenciosas, tornando a relação cliente-prestador de serviço mais harmônica. “Mas não acreditamos que o diferencial prestado esteja no fato de serem mulheres trabalhando. Não nos julgamos melhores do que os homens, apenas acreditamos que somos tão excelentes quanto um homem comprometido com a profissão”, diz Talitha.

Mas ainda enfrentam preconceitos, embora em proporção cada vez menor. “Alguns clientes, inclusive, sentem-se mais confiantes quanto ao resultado final dos serviços contratados, considerando o estereótipo de as mulheres serem mais detalhistas e exigentes. Existe, contudo, um grande desafio a ser vencido quando se deseja quebrar um tradicionalismo de que obras são geridas e executadas por homens, mas quando existe respeito e confiança o sucesso é garantido”, acredita a engenheira.

As profissionais da Renovar são chamadas de “meninas” por alguns funcionários. Às vezes, é só uma forma carinhosa; em outras, é para valorizar a experiência dos mais antigos em relação às três. Para Alice, o pessoal mais conservador até prefere trabalhar com mulheres, quando há mais respeito e carinho. “Em compensação, não aceitamos defeitos e isso incomoda. Ainda existe uma visão artesanal da obra ou reforma, de aceitação de improvisos. Quando isso não ocorre pode-se criar um clima desconfortável, mas com o tempo e a convivência os funcionários vão trabalhando da nossa forma”, acredita.

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