Luz no fim do túnel

Mercado imobiliário se reergue e já tem os primeiros sinais de melhora diante da crise

Setor começa a mudar para melhor em um cenário econômico que ainda não se recuperou totalmente

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postado em 03/04/2017 14:17 / atualizado em 03/04/2017 14:25 Estado de Minas

Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press

O Brasil viveu diversas crises econômicas e políticas. Além da retração de 1998, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, o país também sofreu com reflexos da quebra do banco estadunidense Lehman Brothers, em 2008. Entre 2015 e 2016, o Brasil se viu mais uma vez diante de uma crise. Diversos setores foram afetados e com o mercado imobiliário não foi diferente. Apesar do desânimo trazido pelo desequilíbrio nacional, a tendência é reerguer.

O Índice de Confiança do Empresário da Indústria da Construção de Minas Gerais (Iceicon-MG) registrou 50,3 pontos em março. Essa foi a primeira vez, desde março de 2014, que o indicador rompeu a barreira dos 50 pontos, que separa a falta de confiança da confiança. Se comparado com o mesmo período do ano passado, o índice foi 17 pontos superior. “Essa retomada da confiança é muito positiva, pois demonstra que o empresário já enxerga uma luz no fim do túnel. É claro que precisamos observar se essa confiança vai se sustentar nos próximos meses, mas romper a barreira dos 50 pontos após 36 meses é muito significativo”, ressalta Daniel Furletti, economista e coordenador sindical do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG).

“Apesar de o indicador de condições atuais dos negócios continuar apontando o descontentamento dos empresários, pois está abaixo da linha de 50 pontos, as expectativas melhoraram em relação à economia nacional e à empresa. Caso essas perspectivas continuem se fortalecendo, os empresários podem retomar a vertente de crescimento e de novos negócios”, comenta o especialista.

RETOMADA


Após um ano de crise no cenário econômico brasileiro, os diretores da JAB Empreendimentos Imobiliários acreditam que 2017 trará tempos melhores para o mercado. Um dos fatores é a queda na taxa de financiamento interbancário e a retomada do crescimento da economia. "A crise política ainda continua, mas a crise econômica está menor. A economia já está retomando e a política se movimentando, mas já houve a redução na taxa de juros, o que torna a situação mais segura para o mercado. Hoje, temos o cenário mais claro para as vendas do que em 2016", analisa Marcos Bacha, sócio e diretor administrativo da empresa.

No ano passado, conforme o diretor, a aposta para driblar a situação foi nas vendas de estoque. Segundo ele, as empresas tiveram que se renovar e utilizar a criatividade para se readaptar à nova realidade. “A gente teve que explorar as oportunidades e, mesmo na insegurança, o cliente que viu uma boa chance conseguiu comprar”, explica.

Ilustração/EM
Foi o caso de Marcelo Lacerda. Desde julho do ano passado, o engenheiro civil adquiriu um apartamento cuja procura levou um ano e meio. Marcelo organizou em uma planilha todas as possibilidades de compra e listou os apartamentos pelos quais se interessou em três bairros específicos: Belvedere, Santa Lúcia e Lourdes, todos na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Durante as negociações, ele notou que os imóveis eram vendidos por um valor acima dos orçamentos feitos por ele. Marcelo procurou um pouco mais e em cada visita algo estava errado. “Em um bairro, os apartamentos eram ruins e caros, em outro eram muito antigos e caros.” Até que encontrou um imóvel que atendia aos seus requisitos, localizado em um dos bairros que almejava e que exigia pouca reforma. E Marcelo fez um bom negócio, já que, em cenário de crise, ninguém quer perder venda. “Uni o útil ao agradável e economizei o que hoje seriam R$ 600 mil”, comemora.

Para este ano, a JAB acredita no crescimento das vendas e de novos lançamentos previstos. “Vamos ter resultados favoráveis comparados a 2016. O mercado está se reerguendo e reposicionando produtos e serviços. A expectativa é crescer cerca de 25 % em termos de faturamento”, destaca o diretor.

Marcos explica que a empresa também utilizou estratégias para se posicionar no mercado em 2016. “Toda construtora fica com mercadoria estocada, principalmente porque todos confiaram muito em 2012, 2013, com a ideia da Copa do Mundo, e isso acelerou os processos construtivos”, explica Bacha. “Durante a crise, as construtoras travaram os lançamentos. Com essa diminuição (de lançamentos), a tendência foi girar o estoque do que já estava pronto”, exemplifica.

Para 2017, a expectativa da empresa é de crescimento. De dois a quatro empreendimentos estão previstos para ser lançados ainda neste ano, seguindo a linha de imóveis comerciais de alto padrão e de residencial para venda ou locação. “No novo mercado, o player que não souber se posicionar e lidar com as novidades que os clientes desejam provavelmente não conseguirá se manter no mercado.” E completa: “A capacidade de compra desse cliente não perde tanto. Ele pode até adiar o momento da decisão, mas não deixa de comprar. A crise não é impeditivo para ele”.

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