Adequação à demanda

Construtoras mineiras aferem maior volume de vendas frente ao número de lançamentos

Foco maior na comercialização de imóveis em estoque explica resultados positivos

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postado em 23/08/2017 17:04 / atualizado em 23/08/2017 17:10 Jessica Almeida /Estado de Minas
Ilustração/EM/Son Salvador

O cenário político e econômico do país atingiu em cheio o mercado de construção civil, pois são tempos de incerteza para o consumidor, além da redução da oferta de crédito para a população interessada na aquisição de imóveis. Em que pese o tamanho da crise nos últimos anos, essa realidade começou a mudar a partir de 2016, quando o mercado imobiliário de Belo Horizonte e Nova Lima começou a ensaiar uma reação.

Ao longo do ano passado, o setor registrou maior volume de vendas de unidades frente ao número de lançamentos. No acumulado dos 12 meses, foram comercializados 3.198 apartamentos novos, que resultaram em valor geral de vendas (VGV) superior a R$ 1,5 bilhão. Já os lançamentos no mesmo período foram de 2.035 unidades, significando VGV de R$ 789 milhões. Os dados são da Pesquisa do Mercado Imobiliário do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), realizada pela Brain Bureau de Inteligência Corporativa.

“O ano passado foi de alinhamento do setor de acordo com o novo patamar e perfil da demanda. Assim, o foco das empresas foi na comercialização de unidades em estoque e lançamentos de empreendimentos mais alinhados com as preferências e possibilidades das famílias. Isso teve como consequência um bom volume de vendas e a queda da oferta”, analisa o vice-presidente da área imobiliária do Sinduscon mineiro, José Francisco Couto de Araújo Cançado. A pesquisa coletou dados de 250 empresas com atuação em Belo Horizonte e Nova Lima.

DA EUFORIA À QUEDA

André Sampaio, diretor das construtoras Neocasa e Neo Urbanismo, diz que, em 30 anos de empresa, a crise política e econômica vivida desde 2014 foi a pior que o mercado imobiliário já viu. E veio de um momento de euforia, entre 2006 e 2013, quando o setor ia de vento em popa. “Esse período (2006-2013) foi sensacional. Nunca houve época melhor. E a partir da queda, nunca houve pior”, relembra. “As empresas que estavam muito alavancadas, com muitos empreendimentos para lançar, sofreram mais.”

Durante esse período, a Neocasa e a Neo Urbanismo diminuíram o número de lançamentos. “Lançamos poucas unidades e só onde havia demanda muito caracterizada. Diminuímos também o número de funcionários, e um dos piores efeitos foi esse, perder a mão de obra que estava sendo formada, pois há investimento em treinamento, qualificação, e qualquer tipo de turnover, caracterizado pela alta rotatividade de funcionários em uma empresa, afeta o desempenho das obras, na área de incorporação e vendas.”

A queda no número de negócios imobiliários ocorre desde 2014. “Acredito que a quantidade de lançamentos continuará estável e aumentará à medida que o desemprego diminuir, o poder de compra da população aumentar, e a economia der sinais consistentes de melhora”, afirma Leonardo de Bessas Matos, diretor da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG).

CONTORNAR

“Acreditamos vivenciar movimentos no mercado. Em um patamar mais lento, mas deixamos de ter a visão pessimista de futuro. Temos mais pé no chão: 2017 será melhor. Inclusive, um dado interno nosso aponta que julho foi um dos melhores meses em um ano e meio. É uma demonstração de que as coisas estão saindo da estagnação”, afirma Lucas Couto, diretor comercial e de marketing da Patrimar.

A taxa de juros é um grande aliado do mercado imobiliário. Ou uma comprometedora. Se os juros diminuem, financiamentos são mais procurados. “O setor vive de financiamento. A cada 100 vendas, 80% delas são pagas parte em dinheiro e parte financiada. Se os juros estão altos, a pessoa repensa, não arrisca”, lembra Couto. Segundo o diretor comercial, o resultado é quase que imediato. Caiu a taxa de juros? Entre um mês e um mês e meio a procura por financiamento aumenta.

Apesar de as previsões serem positivas, há quem ainda não sinta solidez. Prova disso é a pesquisa sobre o Índice de Confiança do Empresário da Indústria da Construção de Minas Gerais (Iceicon-MG). O estudo aponta que os empresários do setor da construção estão menos confiantes. Em julho, o estudo registrou 41,5 pontos, decréscimo de 4,8 pontos em relação a junho, com 46,3 pontos.

Na análise de seus componentes, o indicador de condições atuais decresceu 1,6 ponto entre junho (40,1 pontos) e julho (38,5 pontos). Entretanto, o indicador foi 10 pontos superior ao de julho do ano passado (28,5 pontos) e acumulou crescimento de 3,3 pontos nos sete primeiros meses de 2017.

* Estagiária sob a supervisão da editora Teresa Caram
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