Sua saúde pode estar em perigo

Prédios históricos podem ter patologias na construção, como a síndrome do edifício doente

Nas grandes metrópoles, em todo o mundo, ainda há muitas edificações antigas que, por causa da idade, apresentam doenças estruturais

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Edifício Bemge, um dos mais antigos da cidade, faz parte da história da capital mineira - Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press Edifício Bemge, um dos mais antigos da cidade, faz parte da história da capital mineira

Cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, entre outras no nosso país, têm histórias que atravessam os séculos. Isso fez com que muitas das suas construções e estruturas dos prédios se tornassem antigas, em parte por uso contínuo desses prédios, e também pela preservação histórica. Os edifícios não são tão velhos quanto a cidade, a maioria data de períodos mais recentes, como algo em torno de 40 ou 50 anos, mas o fator histórico mostra uma cultura de preservação dos cidadãos, que é muito positivo para a cidade em termos de turismo, conhecimento e patrimônio cultural. O problema é quando esses edifícios têm problemas de saúde que não são imediatamente notados, pois são problemas de saúde estrutural, uma doença da construção.

 Uma delas é a síndrome do edifício doente (Sed). Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Sed é definida como "um conjunto de doenças causadas ou estimuladas pela poluição do ar em espaços fechados". Esses espaços fechados, em sua maioria, são as grandes edificações, que começaram a surgir na década de 1970. Em casos extremos, chegamos a ter construções do fim da década de 1930. Prédios de serviços públicos ou de empresas mais velhas no Centro da cidade, e até mesmo residências, são os principais focos da Sed.

É possível notar essas construções pelo estilo arquitetônico da época, pelo tamanho e pela ausência de tecnologias que só vieram a surgir mais adiante, e que não foram atualizadas na construção. “No caso de riscos à saúde é que temos um problema. A Sed pode ser percebida quando em pelo menos 20% dos usuários (ocupantes) dessas grandes edificações aparecem sintomas como dor de cabeça, náuseas, ardor nos olhos ou coriza. A existência da Sed só foi reconhecida pela OMS na década de 1980, quando houve uma contaminação coletiva de pneumonia num hotel na Filadélfia, o que ocasionou a morte de 29 pessoas”, como conta Francisco Pimenta, engenheiro e membro do Departamento Nacional de Empresas Projetistas e Consultoras (DNPC).

Carlos Pimenta ressalta que o caso mais marcante no Brasil foi no fim da década de 1990, quando morreu o então ministro das Comunicações, Sérgio Motta, em função do agravamento de seu quadro clínico, que, segundo alguns especialistas, foi devido à presença de fungos no ar. “A Sed não provoca doenças, mas pode colaborar para agravar males em pessoas predispostas ou até mesmo provocar um estado passageiro. Ou seja, quando essas pessoas saem das edificações consideradas com Sed os sintomas desaparecem”, comenta.

Numa outra linha de raciocínio, a Sed pode provocar algumas doenças compartilhadas. Um exemplo é o caso da já citada contaminação coletiva no hotel na Filadélfia (EUA,) em 1976, pela bactéria Legionella pneumophila, que causou uma forma rara e grave de pneumonia.

“Um dos grandes problemas é que não temos uma ideia de quantos prédios hoje sofrem disso nas grandes metrópoles. Esse é um dado difícil de se obter, talvez por medo dos responsáveis pela administração dos prédios e condomínios em passar a informação. Porém, segundo a própria OMS, pelo menos 30% das edificações em todo o mundo sofrem de Sed. No Brasil, esse número pode chegar a 50%. São números alarmantes, mas que não tocam as autoridades competentes, surpreendentemente”, discute o engenheiro

PREVENÇÃO

Uma das primeiras coisas a fazer é cuidar das instalações de ventilação e climatização, como ar-condicionado, desses prédios. O equipamento só é causa quando é mal instalado e tem uma manutenção irregular. O acúmulo de poeira, grande presença de compostos orgânicos voláteis (Voc) e até mesmo os produtos de limpeza, todos eles responsáveis por alergias e irritações nas vias respiratórias, são causas importantes da Sed.

A melhor forma de combater (ou evitar) a síndrome é, entre outras, manter o ambiente limpo, ter controle sobre a quantidade de Voc dentro dos ambientes, ter controle sobre a quantidade e qualidade dos produtos de limpeza e conceber um bom sistema de ar-condicionado, desde o seu projeto, passando pela instalação e comissionamento, até uma manutenção com qualidade. Os cuidados com o prédio fazem muita diferença. Então, estar atento a isso é tarefa da administração, mas também pode ser motivada por um olhar cuidadoso e proativo dos ocupantes em geral.

* Estagiário sob a supervisão da subeditora Elizabeth Colares
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