Adaptar para atender

Mercado imobiliário volta os olhos para os idosos, consumidores em potencial

Com o crescimento da população acima dos 60 anos, nasce uma conscientização sobre construir moradias que tragam a melhor experiência em qualidade de vida

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postado em 02/06/2018 08:00 / atualizado em 01/06/2018 23:34 José Alberto Rodrigues* /Estado de Minas
Reprodução/Internet/marketwatch.com

Na última década, o número de brasileiros acima dos 60 anos subiu cerca de 50%. Esse percentual representa aumento de mais de 8,5 milhões de pessoas nessa faixa etária, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Até a metade do século, a terceira idade chegará a 66,5 milhões, cerca de 29,3% do total da população. Diante disso, o mercado imobiliário começa a voltar o seu olhar para esse público de consumidores em potencial.

De acordo com estudos de profissionais da Universidade de São Paulo (USP), construir moradias que estejam preparadas para receber e dar o conforto necessário aos idosos reduz cerca de 40% dos acidentes domésticos. Além disso, dados do Ministério da Saúde mostra que 70% dos acidentes envolvendo pessoas acima de 60 anos ocorrem dentro de suas residências.

Portanto, nasce uma conscientização sobre construir moradias que tragam a melhor experiência em qualidade de vida para as pessoas idosas bem como deficientes. “Por dificuldades naturais da idade, eles merecem uma atenção maior quanto à locomoção”, destaca Leonardo Mota, vice-presidente das administradoras de condomínios da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG).

Uma dica é procurar apartamentos que sejam menores. Eles trazem vantagens como facilidade para fazer a limpeza e de locomoção entre os ambientes. O imóvel deve ter travas de segurança nas portas e janelas. Além de evitar possíveis quedas, essa medida aumenta a segurança para os moradores. Também é recomendável que o apartamento tenha pisos antiderrapantes, principalmente nas áreas que costumam molhar com facilidade. Essa solução simples evita quedas e acidentes graves entre os idosos.

As portas também devem ser mais largas para permitir o trânsito, caso o morador utilize cadeira de rodas ou muletas. O uso de barras em pontos estratégicos, como corredores e banheiros e perto da cama também se faz necessário. Se não tiver, considere o espaço para fazer a instalação, pois elas servem de apoio na hora de se movimentar. “O nível de acidentes dentro de casa é muito grande, por isso é importante facilitar a locomoção. E ter sempre um ponto de apoio, em caso de queda”, avalia Leonardo Mota.

Outra situação a ser considerada é a existência de câmeras no edifício, nas áreas comuns e dentro do próprio apartamento. “A facilidade de comunicação em meios mais interativos, como as câmeras, ajuda caso aconteça algo”, pontua.

Para Leonardo Mota é importante avaliar os obstáculos que podem prejudicar o trânsito dentro do condomínio. As escadas, por exemplo, podem se tornar um problema. “É necessário o uso das rampas de acesso e o elevador deve estar sempre com a manutenção em dia. Faixas de iluminação também devem ser instaladas para melhorar o deslocamento e evitar acidentes”, destaca.

Leonardo Mota ressalta que, além da acessibilidade, o condomínio deve mudar questões comportamentais. “É preciso repensar a sensibilidade dentro dos prédios. Os idosos merecem uma atenção melhor. Por exemplo, agregar valor ao porteiro, melhorando essa interação com o morador, sempre ajudando na locomoção”, avalia.

O vice-presidente da CMI/Secovi também revela um fator interessante sobre o por que investir na adaptação nos condomínios para os moradores mais velho. “A maioria dos proprietários dos imóveis é pessoas mais velhas. Elas têm uma cultura de enraizamento em relação aos jovens, que buscam, na sua grande maioria, por locações. Um fato interessante que contribui para a adaptação para o público.”

Expansão

De acordo Renato Michel, diretor de projetos do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), os empreendimentos com consciência gerontológica vêm ganhando força. “Há um crescente crescimento no lançamento de imóveis para esse segmento. Inclusive, empresas estrangeiras especializadas em imóveis com esse know-how e que já trazem essa bagagem. Alguns funcionam como se fossem um hotel com áreas comuns para a convivência com outras pessoas. Alguns ainda têm toda uma estrutura médica para atendê-los. É uma tendência e acredito que vá crescer”,diz.

A transformação dos lançamentos está pautada a dar mais flexibilidade e principalmente qualidade de vida, já que a demanda desse público vem crescendo. “A demanda é muita e em certa parte, esse público é mal atendido no mercado, já que não há adaptações devidas. Nesse sentido, o mercado vem enxergando uma oportunidade em construir novos empreendimentos voltados para esse nicho. Trazendo conforto e praticidade para a terceira idade”, finaliza o diretor de projetos.

*Estagiário sob a supervisão da editora Teresa Caram
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