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Vizinhos do barulho

Uma boa relação de vizinhança deve estar pautada naquele ditado popular, cuja regra é: "sua liberdade termina onde começa a do seu vizinho"

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Muitos já se depararam com alguma espécie de perturbação, barulho ou ruído proveniente da vizinhança. Até porque, a figura do vizinho não está limitada apenas àquele que mora ao lado, ou na parte superior ou inferior do seu apartamento ou casa. Fazem parte do conjunto da vizinhança os estabelecimentos comerciais (bares, casas de shows, oficinas mecânicas, supermercados etc.), ou seja, abrange toda a circunscrição próxima do local em que está fixada a sua moradia.

Uma boa relação de vizinhança deve estar pautada naquele ditado popular, cuja regra é ‘sua liberdade termina onde começa a do seu vizinho’. Portanto, os condomínios, sob a coordenação do síndico, deliberam regimentos internos para estabelecer os limites quanto aos horários de utilização de áreas comuns, não permitem que a TV, som ou home teather sejam ligados em volume alto, pedem para que evitem andar de salto alto para não perturbar o vizinho de baixo e falar alto ou dar gargalhadas, entre tantas outras normas de proteção ao silêncio no ambiente condominial.

Hoje, já existem meios para evitar o barulho nos apartamentos, sendo o mais utilizado aquele denominado isolamento acústico, com janelas antirruído e acabamento com paredes e lajes mais grossas, que evitam a passagem de ruídos, conversas ou até mesmo barulho que vem da parte externa, especialmente do trânsito. Entretanto, esse problema costuma não ser resolvido de antemão, especialmente pelo custo que essas soluções trazem ao empreendimento.

No caso de o proprietário do imóvel se sentir incomodado, deverá fazer as modificações que tragam uma melhor qualidade acústica no cotidiano, fazendo com que os usuários do imóvel, que chegam cansados depois de um dia de trabalho, em busca de sossego, não se deparem com o barulho, ou até mesmo aqueles que passam o dia todo na sua própria residência não sejam obrigados a conviver com esse incômodo.

O problema no interior dos edifícios é mais perceptível no período noturno, quando as pessoas querem descansar e o barulho dos carros e ônibus é menor, fazendo com que a percepção dos ruídos do prédio se torne mais rápida e intensa. Nessa hora, tarefas e ações comuns à rotina de uma pessoa passam a ser compartilhadas com os vizinhos, como escutar conversas e passos, o barulho da descarga, do banho, por meio dos ruídos nas tubulações, como se fossem no seu próprio apartamento. Isso pode resultar até mesmo em mudança de residência para ter o sossego desejado.

Não bastasse o barulho do vizinho de apartamento, em muitas capitais e até mesmo em cidades do interior, o incômodo provém dos bares, com pessoas conversando e som ao vivo até altas horas, o que tira o sono de muita gente. A extrapolação de horários e a violação da Lei do Silêncio levaram a prefeitura da capital paulista, por exemplo, a formar um grupo de mediadores de conflitos para atuar nas ocorrências de perturbação do sossego, que geram brigas entre vizinhos.

Além disso, diversas decisões judiciais já foram tomadas sobre esse assunto, mas ainda há muito o que se fazer, tornando-se imperativo que os governantes municipais procurem meios para garantir o conforto e sossego dos cidadãos. Para isso, é preciso fiscalizar os bares e exigir o cumprimento dos horários, evitando barulhos depois das 22h e garantindo o sono tranquilo da população.

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