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Mercado Imobiliário

Shoppings populares

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postado em 29/04/2012 08:51 / atualizado em 29/04/2012 08:53 Francisco Maia Neto /Especial para o Estado de Minas


Como já é sabido, o nascedouro dos shoppings centers ocorreu em terras norte-americanas. Seu surgimento encontra-se intimamente ligado ao uso indiscriminado do automóvel, que trouxe como efeito colateral o tráfego intenso nas cidades. Existe até uma metáfora no mercado mobiliário que relaciona o aparecimento desse tipo de empreendimento à descoberta de que o homem é feito da cabeça, tronco e rodas. Realmente, a facilidade que os veículos trouxeram à mobilidade urbana facilitou sobremaneira os deslocamentos, o que passou a exigir mais espaço para estacionamento nos centros urbanos tradicionais, projetados e construídos para uma outra realidade. Isso trouxe impacto direto ao chamado comércio de rua, que se tornou dependente do transeunte comum, que usa transporte público ou habita nas proximidades. Ainda nos Estados Unidos, os estudiosos apontam um segundo fator relevante para a aparição dos shoppings centers, em parte decorrente do fenômeno automotivo. Foi o surgimento dos %u201Csuburbs%u201D, núcleos urbanos situados a certa distância das regiões centrais, que demandaram espaços próprios para o desenvolvimento das atividades comerciais e de serviços. Assim foi desenhado o produto shopping center, que guarda até os dias atuais o mesmo formato, caracterizado por ser um ambiente protegido das intempéries (chuva, calor e frio), dotado de amplo estacionamento e espaços que facilitam o convívio, com farta oferta de produtos e serviços distribuídos por um mix de lojas que atendem as necessidades de todos que se dirigem ao local, o que lembra as praças centrais das antigas cidades. Ao longo dos anos, com a profissionalização do que denomina-se hoje indústria de shopping center, os empreendedores foram levados a um intenso planejamento dessas edificações. Planejamento esse calculado sobre premissas fundamentais, a começar pelo chamado público primário, que corresponde à existência de uma massa de pessoas em um raio predeterminado e cujos gastos serão efetuados nas lojas ali instaladas, garantindo uma receita que justifique o investimento. Como consequência, o surgimento desses empreendimentos no Brasil ocorreu em regiões habitadas por famílias de maior poder aquisitivo. A massa de recursos disponíveis para consumo dentro da zona de influência próxima reduzia sensivelmente os deslocamentos, formando uma configuração que aliava a densidade demográfica com a elevada capacidade média de consumo. A saturação dessas regiões levou os empreendedores a se voltarem para áreas cujo público-alvo apresenta menor renda, o que poderia não se mostrar atraente. Entretanto, com o despontar das classes C e D, esse cenário tomou novos rumos. Estudos apontam a incorporação de 30 milhões de brasileiros à classe C, gerando uma renda mensal de R$ 10 bilhões, o que resulta em um potencial de 180 mil metros quadrados (m²) de área locável aos shopping centers. Essa realidade traz novos desafios ao setor, em que se configura novo segmento de atuação, especialmente porque surge novo mercado, com padrões culturais, anseios e hábitos de um novo consumidor. Isso obriga as empresas a empreenderem ações voltadas ao conhecimento do universo que atenta à demanda desse público emergente.

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