Promessa antiga

Prefeitura de BH quer limpar Lagoa da Pampulha até o fim de 2016

Serviços para recuperar qualidade da água da Lagoa da Pampulha para prática de esportes náuticos e pesca amadora são iniciados. Previsão da PBH é que fiquem prontos em 10 meses

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postado em 18/03/2016 15:15 / atualizado em 18/03/2016 15:29 João Henrique do Vale /Estado de Minas
Despoluição da Pampulha, que se arrasta há anos, entra em nova etapa e uma das metas agora é permitir prática de iatismo em um dos cartões-postais da capital. Investimentos somam R$ 30 milhões - Jair Amaral/EM/D.A Press Despoluição da Pampulha, que se arrasta há anos, entra em nova etapa e uma das metas agora é permitir prática de iatismo em um dos cartões-postais da capital. Investimentos somam R$ 30 milhões
Uma nova promessa de limpeza da Lagoa da Pampulha, um dos cartões-postais da capital mineira e cujo conjunto arquitetônico é candidato a patrimônio da humanidade pela Unesco, foi feita ontem e com data marcada para que a represa volte a receber a prática de esportes náuticos. A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) quer que o lago seja palco de iatismo e pesca amadora em 10 meses. O prefeito Marcio Lacerda assinou uma ordem de serviço para a recuperação da qualidade da água do reservatório. A meta é enquadrar o resíduo na chamada “Classe 3”, conforme normatização do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que permite as atividades. “Será um trabalho de 10 meses, em que o consórcio (contratado para fazer o trabalho de limpeza da lagoa) terá que alcançar padrões de qualidade na análise da água que será feita a cada três meses”, garantiu Lacerda.

As ações para a limpeza da Lagoa da Pampulha começaram ontem. O consórcio Pampulha Viva, ganhador da licitação, vai usar dois produtos, o Phoslock e depois o Enzilimp, para reduzir o excesso de nutrientes na água e inibir a proliferação de algas, clorofila-A, metais pesados coliformes e a Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO). A PBH investiu cerca de R$ 30 milhões nesse serviço, que será supervisionado pela Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura e pela Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap).

A intenção é ter o espelho d’água limpo até o final do ano. Segundo a normatização do Conama, para atingir a Classe 3, a Lagoa da Pampulha não poderá ter espumas não naturais, óleos e graxas, substâncias que comuniquem gosto ou odor, além de corantes artificiais que não sejam removíveis por processo de coagulação, sedimentação e filtração convencionais e substâncias que formem depósitos objetáveis. O número de coliformes fecais terão que estar em até 4 mil por 100 mililitros em 80% ou mais de pelo menos cinco amostras mensais colhidas em qualquer mês.

“A análise inicial já foi feita, nós teremos que reduzir determinados índices de clorofila, coliformes, fósforo e algas entre 70% e mais de 90%. Realmente a situação de poluição da lagoa é grave”, afirmou o prefeito. Segundo ele, será utilizado um processo de limpeza já testado no Brasil e em outros países. “E o consórcio nos garante que, em 10 meses, as águas estarão adequadas para esportes náuticos da chamada Classe 3. Teremos, no final do ano, como prevê o contrato, uma excelente qualidade de água não só no visual, mas também no que se refere ao mau cheiro, que costuma ocorrer”, explicou Lacerda.

Consórcio contratado terá que alcançar padrões de qualidade na análise da água a cada três meses, diz o prefeito Marcio Lacerda - Jair Amaral/EM/D.A Press Consórcio contratado terá que alcançar padrões de qualidade na análise da água a cada três meses, diz o prefeito Marcio Lacerda
DESASSOREAMENTO Parte da despoluição da Lagoa da Pampulha estava prevista para a Copa do Mundo. Com isso, os trabalhos para a limpeza da represa já vinham sendo feitos. Na primeira etapa, foram retirados 850 mil metros cúbicos de sedimentos da lagoa, segundo a PBH, no desassoreamento realizado ao longo de um ano. As ações foram concluídas em outubro de 2014 – mais de três meses depois do Mundial –, e tiveram investimentos de
R$ 108,5 milhões.

Nos próximos dias, será lançado edital para a manutenção do desassoreamento da lagoa. A empresa que vencer terá que retirar 115 mil metros cúbicos de sedimentos por ano, a partir do segundo semestre de 2016. Os trabalhos, da ordem de R$ 83 milhões, serão realizados por um período de quatro anos.
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