Paisagismo

Paisagismo ganha graça a partir da composição com obras de arte

Planejar a composição de jardins e outros espaços verdes em casa exige trabalho e pesquisa para criar a combinação perfeita entre plantas, esculturas e iluminação

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postado em 05/08/2012 10:00 / atualizado em 05/08/2012 10:13 Júnia Leticia /Estado de Minas
Harmonia entre plantas e peças artísticas depende do cálculo das dimensões e estilo da decoração. Consulta de especialistas é fundamental para não errar na escolha - Eduardo Almeida/RA Studio Harmonia entre plantas e peças artísticas depende do cálculo das dimensões e estilo da decoração. Consulta de especialistas é fundamental para não errar na escolha

Foi-se o tempo em que princesas, anões, sapos e outras criaturas dos contos de fadas reinavam absolutas nos jardins. Os paisagistas, apostando cada vez mais em ideias ousadas, agora buscam inspiração na arte para compor esse espaço. Com isso, surgem soluções que despertam o interesse e criam sensações nos apreciadores das áreas verdes. E engana-se quem pensa que não há alternativas para deixar o jardim ainda mais belo.


De acordo com a professora de teoria da jardinagem do Instituto de Arte e Projeto (Inap) Lúcia Borges, há vários elementos para isso, como fontes, cascatas, iluminação decorativa, vasos e esculturas.

A utilização de um vaso vietnamita com uma planta já cria uma composição sofisticada para o ambiente, segundo Lúcia. Quando bem projetados, os jardins verticais, por si só, também podem ser considerados obras de arte, criando efeitos sofisticados, conforme explica a professora.

O paisagista e ambientalista Caio Zoza cita esculturas clássicas, como ninfas, deuses e até mesmo bustos, que sempre apareceram nos jardins greco-romanos e perduraram nos jardins formais franceses. “Há também trabalhos em arte moderna e contemporânea que são, cada vez mais, agregados aos jardins, tanto em estilo tropical, como nos japoneses, entre outros”, comenta.

Para a arquiteta Flávia Freitas, é importante investir também em fontes, caramanchões, mobília de qualidade e em design especial para valorizar o espaço - Eduardo Almeida/RA Studio Para a arquiteta Flávia Freitas, é importante investir também em fontes, caramanchões, mobília de qualidade e em design especial para valorizar o espaço
O profissional diz que sempre gosta de inserir em seus projetos esculturas e elementos que remetam o olhar das pessoas a tais objetos. “Trabalho com peças do artista plástico Leandro Gabriel há alguns anos. Ele busca inspiração em elementos vivos, como troncos de árvores, folhas e frutos, entre outros, para desenvolver seu trabalho utilizando a sucata de ferro. Além de transformá-los em arte, recicla-os de uma forma inteligente e criativa.”

Para saber como utilizar cada peça, é preciso considerar o significado que se quer imprimir a ela. “Cada adorno ou elemento tem sua forma de ser utilizado. Normalmente, eles são colocados em pontos de destaque, sendo o centro de interesse do jardim. Esses elementos ajudam a compor o espaço, se tornando-se o diferencial”, indica Lúcia Borges.

O arquiteto Hugo Sasdelli diz que é possível encontrar no mercado uma série de opções. “As esculturas, os mais utilizados, podem ser de diferentes estilos: desde as artesanais, feitas em madeira, às mais sofisticadas, feitas em mármore ou bronze. Essas devem ser colocadas de maneira destacada, uma vez que não são elementos naturais”, informa.

A fim de compor um jardim que tenha um toque de arte, vale investir em elementos como obras de arte, fontes, caramanchões, podas diferenciadas, mesas, cadeiras, bancos e luz, conforme a arquiteta Flávia Freitas. “Além de elementos reaproveitados usados de maneira inovadora, que dão a um projeto de paisagismo sensações harmônicas, criativas e sofisticadas.”

INSPIRAÇÃO

Como exemplos da harmonia entre paisagismo e arte, a arquiteta cita experiências de sucesso e já consagradas ao redor do
Preocupações com o transporte e a conservação das obras de arte devem ser consideradas antes de comprar esculturas - Eduardo Almeida/RA Studio Preocupações com o transporte e a conservação das obras de arte devem ser consideradas antes de comprar esculturas
mundo. Elas podem ser vistas no Instituto Inhotim, em Brumadinho – na Região Metropolitana de Belo Horizonte –, nos jardins de Tuilerie, no Museu Rodin, e no Palácio de Versailles, na França. “Eles mesclam vários elementos à natureza, destacando obras de arte, lagos e fontes para dar mais vida e sensibilidade ao ambiente”, observa Flávia Freitas.

Para destacar a peça, é fundamental apostar em uma iluminação adequada, que deve considerar a sensação que se quer transmitir no jardim, conforme Hugo Sasdelli. “Se quiser uma iluminação mais geral, deverão ser utilizados postes e refletores. Na hora de usar a iluminação, Caio Zoza lembra que é preciso considerar que, no caso de jardins residenciais, o objetivo é que seja destacada uma escultura. “A iluminação deverá focar pontos onde se deseja observar os elementos esculturais, englobando sempre as plantas que complementam o cenário”, indica o paisagista.

Caso seja demandada visitação ou contemplação noturna, Flávia diz que a iluminação é fundamental. E, bem utilizada, tem condições de criar um espaço totalmente novo. “Com destaques focais, indicações de caminho e harmonização, é possível criar um clima aconchegante e confortável. Existem peças de iluminação especiais para projetos paisagísticos que são verdadeiras obras de arte, criadas por designers renomados como Jean Nouvel”, cita Flávia.

Harmonia e planejamento
Projetos para decorar jardins devem considerar a função das peças que serão usadas. Especialistas recomendam atenção às dimensões da obra

Decidido pela utilização de elementos que conferem arte ao jardim, não basta comprar uma linda escultura e colocá-la, aleatoriamente, junto às plantas. Antes disso, é preciso fazer um projeto paisagístico, no qual o elemento ornamental deve ser inserido com o mesmo cuidado que se teve ao escolher uma planta. A professora de teoria da jardinagem do Instituto de Arte e Projeto (Inap) Lúcia Borges diz que o primeiro passo para começar a pensar nesse jardim é considerar qual será seu tipo e sua função. “Em uma composição mais rústica, podemos utilizar peças como carro de boi. Aí, devemos tratar essa peça para ser exposta no jardim. Como é, normalmente, feitas em madeira, esse tratamento inclui aplicação de tintas ou vernizes”.

"Se a opção for por arte contemporânea, explore ao máximo o imaginário de todos que utilizam constantemente o jardim, bem como visitantes" - Caio Zoza, paisagista e ambientalista
É necessário, ainda, cuidado com relação ao espaço que a peça ocupará no jardim, para que não haja desequilíbrio na composição. “O tamanho do elemento a ser utilizado também deve ser levado em consideração. Devemos ter cuidado com a proporção, não colocando elementos muito pequenos ou muito grandes”, diz Lúcia. Dessa forma, a professora acredita que, como nas casas os ambientes são maiores, há mais opções de peças para inserir na decoração do jardim. “Já em apartamentos, onde as varandas são menores, utilizamos as paredes como apoios. Nesse caso, mandalas, quadros e jardins verticais são bastante utilizados.”

O paisagista Caio Zoza ressalta que é preciso buscar peças que agreguem valor ao ambiente. “Se a opção for por arte contemporânea, explore ao máximo o imaginário de todos que utilizam constantemente o jardim, bem como visitantes. Em apartamentos, é sempre bom agregar arte aos vasos ou contêineres, não se esquecendo da composição final entre tal elemento e a planta escolhida”, indica. Para quem não faz ideia do que colocar e quer uma orientação acerca do que está mais em voga, Lúcia Borges aponta como tendência interessante a inserção de esculturas abstratas colocadas em pontos estratégicos de grandes jardins. “Chapas retorcidas, oxidadas ou pintadas proporcionam sofisticação e beleza ao paisagismo”, opina.

Caio Zoza aposta no abstrato, que ele aponta como relevante no passado (arte moderna) e atualíssimo no presente (contemporânea). “As peças que mexem com nosso imaginário são e serão sempre muito bem-vindas no jardim, seja ele em qualquer estilo. As esculturas lúdicas também são uma forte tendência em espaços reservados, haja vista a crescente demanda pela sua utilização em espaços públicos, onde crianças se divertem e adultos retomam seu lado criança cada vez mais esquecido.”

O paisagista diz que jardins minimalistas também tendem a se tornar cada vez mais palco de grandes obras de arte, apesar de considerar que, em sua essência, já serem uma grande obra de arte. “Os jardins de meditação tendem a desembarcar no Brasil cada vez mais, nos aproximando dos orientais. Aí, conjuntos de pedras isolados são espetaculares esculturas”, considera Caio.

DESTAQUE

A arquiteta Flávia Freitas diz que os elementos devem ser usados para destacar seus valores ou o foco principal do ambiente, dando um toque criativo e sofisticado aos projetos. “Mas é necessário cuidado para evitar excessos. Um jardim precisa respirar, precisa explorar seu espaço aberto, e o excesso de elementos pode torná-los obstáculos, além de poluí-lo visualmente, impedindo o destaque de algo realmente importante”. Em prol do equilíbrio, Lúcia Borges aconselha que o adorno a ser utilizado no jardim deve ser previsto na composição paisagística como mais um elemento a ser colocado.

Alternativa econômica

Professora de teoria da jardinagem no Inap, Lúcia Borges diz que o primeiro passo deve ser pensar a função que o jardim exercerá - Eduardo Almeida/RA Studio Professora de teoria da jardinagem no Inap, Lúcia Borges diz que o primeiro passo deve ser pensar a função que o jardim exercerá
Para quem quer fazer a composição arte e jardinagem sem gastar muito, a dica é apostar em elementos artesanais em cerâmica, pedra ou chapas metálicas, que são produzidas por vários profissionais. “Essas peças, normalmente, são bem mais baratas e, dependendo da forma como são colocadas, proporcionam efeitos bem interessantes”, aponta Lúcia.

Outra solução interessante apontada pela professora é reutilizar algum objeto, como gradil de portão e janela, no lugar em que se está fazendo o paisagismo. “Colocar elementos que têm a ver com quem vai utilizar o jardim também é interessante. Observar os elementos que estão envolvidos no entorno também é uma boa dica”, acrescenta.

Flávia Freitas aposta na reciclagem e no reaproveitamento de objetos e materiais inusitados, que podem dar vida e criatividade a um ambiente. “Essas soluções, muitas vezes, são mais baratas e práticas que investir em peças prontas. Paletes, caixotes de feira, escadas de madeira, garrafas Pet, toras de bambu, latas, copos descartáveis, tudo pode ganhar vida nova e proporcionar um efeito inovador”, revela a arquiteta.

Mas não basta simplesmente se apropriar de uma lata. É preciso saber para que será usada e dar um acabamento ideal para esse uso, conforme Flávia. “O macete é experimentar, brincar, tentar, inovar. O importante é usar bem a criatividade e ter carinho na hora de fazer uso desses elementos.”

Três perguntas para... César Lins - artista plástico

César Lins - artista plástico - Eduardo Almeida/RA Studio César Lins - artista plástico
Quais são os critérios para escolher as melhores peças?
Antes de escolher uma escultura, deve-se levar em consideração as dimensões do espaço no qual ela será inserida. Se a área é ou não exposta ao sol e à chuva, as dimensões do pé-direito para áreas cobertas e o estilo e decoração do espaço.

O que pode poluir o espaço?
A utilização de objetos em excesso, peças com dimensões desproporcionais ao espaço proposto, cores demasiadas ou conflitantes com a cor predominante do espaço e, por último, o conflito no estilo e decoração do ambiente.

Quais são as soluções mais modernas, práticas e baratas que surtem grandes efeitos?
Para valorizar o jardim de forma simples, sem requerer muito investimento, podem-se utilizar jogos de luzes ao longo do espaço, criando volumes e destacando as cores do jardim. Uma outra opção é a utilização de elementos verticais para preencher espaços vazios ou fundo indesejados. As esculturas em jardim, apesar do alto custo de aquisição, valorizam e enriquecem bastante o ambiente, criando um tom de modernidade e sutileza no espaço, permitindo maior interação entre o ambiente e o usuário/visitante.

Tags: arte

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Luiz - 05 de Agosto às 11:54
Quando uma pessoa ganha muito dinheiro e não sabe o que fazer com ele, dá nisso. E os ricos ainda reclamam que pagam muitos impostos, será?

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