Circuito DMAIS fortalece a identidade do design feito em Minas e no país

Se o Brasil ainda engatinha quando se fala em produção autoral, também é certo que profissionais lapidados aqui despontam no cenário internacional. Minas, por sua vez, tem um design com assinatura genuína ao desenvolver peças criativas, originais, que brincam com linhas retas ou curvas

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postado em 20/09/2014 09:00 / atualizado em 19/09/2014 19:20 Joana Gontijo /Lugar Certo
Aparador criado pela Alva Design - Jomar Bragança/Divulgação Aparador criado pela Alva Design
Um jeito diferente no fazer, fresco, jovem, único. O design brasileiro é conhecido por ser criativo, original e bem-humorado. A produção autoral no setor tem história recente no país, mas, mesmo diante de cenários limitados e acesso difícil à tecnologia, profissionais se despontam para o resto do mundo. Jovens talentos criam linguagens próprias no desenho de objetos e mobiliários, reforçando e renovando a identidade nacional, e continuam o trabalho de seus precursores, hoje clássicos do design no Brasil.


O desenho de mobiliário brasileiro precisou se transformar para se adequar às novas exigências surgidas no mercado moveleiro ao longo dos últimos 50 anos, segundo a designer de interiores e mestre em design de produção de ambientes Maria Lúcia Machado. “No Brasil antigo, a fabricação de móveis era amadora e, até a década de 1920, estávamos totalmente alienados da revolução produtiva na Europa e nos EUA. O mobiliário feito aqui era cópia dos desenhos ingleses e franceses”, explica. Com algumas sementes na Semana de Arte Moderna, em 1922, o design brasileiro começa a ganhar força em 1935, mais intensamente com a fase principal do modernismo, a partir dos anos 1950, segundo Maria Lúcia.

As principais referências desse começo são Joaquim Tenreiro, Sérgio Rodrigues, de 86 anos, que morreu no início do mês, e José Zanine Caldas. Em paralelo, aparecem o trabalho de Lina Bo Bardi, Oscar Niemeyer, com suas linhas de móveis, e Jorge Zalszupin, autor de vasta coleção. “O clima tropical do Brasil não combinava com aquelas peças robustas, torneadas, em veludos e brocados, tão pesadas e austeras. Os móveis precisavam ter identidade, o que foi a busca central de Tenreiro, com suas linhas simples, retas, leves e ergonômicas. Sérgio Rodrigues, pouco depois, trilha o caminho aberto por ele na afirmação do movimento modernista no campo do mobiliário, e é pioneiro em divulgar o design feito no Brasil em nível mundial”, diz Maria Lúcia. Zanine Caldas, com móveis esculturais em troncos de árvores aproveitados de devastações, engrossa a primeira corrente como outro grande criador.
Divã Yung, da designer Etel Carmona  - Divulgação Divã Yung, da designer Etel Carmona
Com a evolução nos meios de formação acadêmica, na qualificação, na viabilização de associações profissionais, o Brasil assistiu ao nascimento de uma nova geração de designers, como os Irmãos Campana, a partir de 1990. Em três exposições de curadoria e concepção do mineiro Pedro Lázaro, programadas no Circuito DMAIS, ícones da cena brasileira do design são celebrados. Na São Romão, a mostra traz coleções de Etel Carmona, com desenhos próprios e outros assinados por Jorge Zalszupin, Oscar Niemeyer, Claudia Moreira Sales, Arthur Casas e Alva Design.
Mesa Cubo Libre, da designer Cláudia Moreira Salles - Divulgação Mesa Cubo Libre, da designer Cláudia Moreira Salles
Conceitos de mineiridade

Em Minas, a produção de design é intensa, segundo o arquiteto Pedro Lázaro, com nomes e com conteúdo, em uma corrente que começa a aparecer, mas é embrionária. “Em Minas, assim como no Brasil, o fazer do design ainda é um pouco restrito. Por isso a importância do circuito. O evento quer democratizar o design, despertar o interesse do grande público e criar valor para cada pessoa, já que é um meio de expressão, uma maneira de se comunicar”, diz.

A especialista Maria Lúcia Machado lembra que a entrada do design em Minas tem como referência a inauguração da Escola de Artes Plásticas da UEMG na capital, em 1955, hoje Escola de Design, quando a prática do design de produto e mobiliário ainda levava o nome de desenho industrial. “É a partir dos anos 1990 que começa uma produção própria mineira mais expressiva, com trabalhos pontuais, como o de Porfírio Valladares.” Mas apenas depois do ano 2000 a rede local de design ganha maior consistência.
Mesas Arquipélago, do arquiteto Arthur Casas - Divulgação Mesas Arquipélago, do arquiteto Arthur Casas
Dentro da exposição que Pedro Lázaro preparou com a coleção de Etel Carmona, que ocupa a loja São Romão durante o Circuito DMAIS, ele destaca dois jovens designers de Belo Horizonte: Marcelo Alvarenga e Suzana Bastos, da Alva Design, mesclam características da cultura mineira e brasileira em um traçado de mobiliário diferenciado. “Com peças multifuncionais, resgate de madeiras nacionais de tradição e uma pegada do art déco, a dupla tem um olhar barroco e bem mineiro.”

RENOME

À frente de um escritório multidisciplinar, que vai do design de interiores à construção e cenografia, Pedro Lázaro é um profissional de renome no design em Minas. Ele acaba de lançar uma linha de móveis para a Lider Interiores, que inclui poltrona, sofá, cama, chaise e biombos. Também está preparando uma coleção especial.
Mesa Pétalas, do designer Jorge Zalszupin - Divulgação Mesa Pétalas, do designer Jorge Zalszupin
E a cena mais recente do setor no estado já tem outros representantes de peso: Ana Vaz, que usa o tricô e o crochê artesanais para transitar entre design, arte e moda; Cyra Lobo e Nora Fernandes, que usam o bordado tradicional mineiro para dar vida nova a peças antigas; Domingos Tótora, com sua excursão pelas possibilidades do papelão; Graça Kazan e Luiz Mário Moura, experientes em levar um mobiliário de luxo do Triângulo Mineiro para vários países; Isabela Vecci, com sua coleção de móveis cheios de identidade; Marcelo Ligiere, bem-sucedido em unir os processos industriais e as tendências internacionais do mercado de mobiliário de alto padrão; Mary Figueiredo Arantes, que começa a transportar as sobras das bijuterias da marca Mary Design para tramas que cobrem móveis supercoloridos; e Olavo Machado Neto, que mistura o contemporâneo a conceitos de mineiridade em belo conjunto de mobiliário e objetos utilitários.

Tags: brasil

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