Os programas fazem parte do Plano Setorial de Qualificação (Planseq) da Construção Civil dirigido às famílias cadastradas no Bolsa-FamíliaQuem se inscrever terá a formação gratuita, além de vale-transporte e lancheO descompasso entre a oferta de vaga e a baixíssima procura surpreende, diante do aquecimento da indústria da construção civil na Grande BH e as perspectivas de crescimento do setor nos próximos anosAs empresas passaram a correr atrás de mão de obra, de olho nos incentivos dados pelo governo à construção de moradias populares, nas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), e de investimentos da iniciativa privada, na realização da Copa do Mundo em 2014 e da Olimpíada em 2016.
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Uma das explicações para a falta de interesse dos candidatos pode estar no medo das famílias de perder a assistência financeira do Bolsa-Família, um nó criado pelo próprio programa, considerado assistencialista por seus críticosOs R$ 102 que recebe mensalmente do governo, porém, não pesaram na hora de Ilda Venâncio decidir pela inscrição no curso de instalações voltado para os sistemas elétrico e hidráulico"Se conseguir o emprego depois de me formar, será muito melhor do que o benefícioPrefiro muito mais estar no mercado de trabalho", garante Ilma, que está desempregada há 10 meses
O coordenador do Planseq pelo Senai-MG, Luiz Eduardo Notini Greco, afirma que, ao fazer o curso de 200 horas, o aluno não perde os benefícios do programaAs famílias beneficiadas pela assistência em dinheiro recebem entre R$ 22 e R$ 200, dependendo do número de crianças e adolescentes até 17 anosO Bolsa-Família atende famílias pobres, com renda mensal por pessoa de no máximo R$ 140Os salários no mercado podem compensar o benefício perdidoSegundo dados do Sinduscon, a remuneração base para pedreiros é de R$ 778,80, mas especialistas garantem que o valor pode chegar a R$ 1,7 mil.
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Outra dificuldade do Senai-MG para a formação das turmas do programa de qualificação, na avaliação de Notiini Greco, está relacionada à maior participação das mulheres entre os beneficiários do Bolsa-FamíliaElas são a maioria dos cadastrados e não imaginam que terão espaço no mercado de trabalho da construção, crença derrubada por Greco"Várias empresas já contratam mulheres e a demanda por mão de obra só tende a crescer na Grande BH", afirmaO próprio Senai-MG encaminha os alunos formados às empresas, quando elas pedem indicações para contratações, o que é comum.
Prova de que as empresas não estão fazendo distinção entre homens e mulheres é a experiência da pedreira Maria Cristiana da Silva, de 31 anos, que já exibe o diploma de conclusão do curso e comemora o primeiro emprego com carteira assinada"Depois de 15 dias de término das aulas comecei a procurar e a construtora Even abriu as portas para mim